A metáfora na linguagem de especialidade da dor
DOI :
https://doi.org/10.22409/gragoata.v31i70.70314.ptMots-clés :
Expressões metafóricas, Teoria da Metáfora conceptual, Terminologia Sociocognitiva, Migrante, Linguagem da dorRésumé
Este estudo propõe-se a investigar as metáforas terminológicas presentes na linguagem da dor, em um contexto em que duas línguas, o português brasileiro e o espanhol, mais especificamente a variedade venezuelana, se encontram em situação de migração na qual migrantes venezuelanos são atendidos em serviços de saúde em Brasília/DF, Brasil. Explora-se a intersecção entre o léxico geral e o especializado, no qual se observa que pacientes, sobretudo o grupo de migrantes estudado, empregam frequentemente um léxico metafórico para descrever suas dores e sensações. A fundamentação teórica se alicerça na Teoria da Metáfora Conceptual (TMC), de George Lakoff e Mark Johnson (1980, 1999), para a análise da metáfora, e na Teoria Sociocognitiva da Terminologia (TSC), de Rita Temmerman (2000, 2004), para a análise terminológica. A coleta de dados realizou-se por meio de entrevista e questionário, aplicados a 13 migrantes venezuelanos. Os resultados revelaram uma incidência significativa de termos metafóricos, em especial adjetivos e substantivos usados para descrever a dor; são exemplos, “dolor como latidos” (espanhol) / “dor latejante” (português); “dolor como un latigazo” (espanhol) / “dor como chicotada” (português), demonstrando sua centralidade na forma como esses indivíduos, em seu dia a dia, verbalizam suas experiências de dor. A análise aponta para uma correlação direta com as Metáforas Ontológicas da TMC, as quais facilitam a representação de experiências corporais complexas por meio de referências a objetos e substâncias tangíveis, demonstrando a centralidade dessas construções na verbalização da dor na vida cotidiana.
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