Marketing de nostalgia: O consumo cultural relacionado aos afetos do passado
DOI:
https://doi.org/10.22409/6qxykt53Palavras-chave:
marketing de nostalgia, comportamento do consumidor, consumo cultural, afecção, nostalgiaResumo
Este artigo investiga o marketing de nostalgia como prática comunicacional que mobiliza afetos relacionados ao passado para estimular práticas contemporâneas de consumo. Partindo de uma abordagem teórica interdisciplinar, discute-se a transformação histórica do conceito de nostalgia e sua consolidação como força simbólica na cultura midiática. Analisa-se o papel da mídia e da cultura pop na estetização e mercantilização da memória, convertendo experiências passadas em repertórios disponíveis ao mercado. À luz das contribuições de Bergson, Benjamin e Deleuze, compreende-se o consumo como um processo de afecção, no qual imagens-lembrança são ativadas na relação entre corpo, memória e produtos culturais. Argumenta-se que o marketing de nostalgia atua como operador discursivo, interpelando sujeitos e naturalizando modos de sentir, desejar e consumir. Conclui-se que a nostalgia, na contemporaneidade, constitui um elemento central na produção de sentidos, vínculos afetivos e experiências de pertencimento no âmbito do consumo cultural.
Downloads
Referências
ACHARD, Pierre. Papel da memória. São Paulo: Pontes, 1999.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
APPADURAI, A. Modernity at large: cultural dimensions of globalization. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2011
ARIAS, Maria José Ragué. Os movimentos pop. Rio de Janeiro: Salvat Editora do Brasil, 1980.
BEBIANO, Rui. Nostalgia e imaginação: dois fatores dinâmicos num mundo global. XX Encontro de Filosofia: A Filosofia na Era da Globalização, 2006. Disponível em https://apfilosofia.org/wp-content/uploads/2017/06/RuiBebiano_NostalgiaImaginacao. pdf. Acesso em: 25 abr. 2026.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica. In: A idéia do cinema. Rio de Janeiro: Abril Cultural, 1969.
BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
BERGSON, Henri. Memória e vida. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2019.
BOTELHO, Ronan Wielewski. Nostalgia: Pensando sobre. Vol. 21. Kindle: 2022.
BOYM, Svetlana. Mal-estar na nostalgia. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 10, n. 23, 2017. DOI: 10.15848/hh.v0 i23.1236. Disponível em https://www.historiadahistoriografia.com.br/ revista/article/view/1236. Acesso em: 25 abr. 2026.
BOYM, Svetlana. The future of nostalgia. NY: Basic Books, 2002.
CASTELLANO, Mayka; MEIMARIDIS, Melina. Produção televisiva e instrumentalização da nostalgia: O caso Netflix. Revista GEMInIS, v. 8, n. 1, 2017. Disponível em https://www.revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/281. Acesso em: 25 abr. 2026.
COELHO, Teixeira. O que é indústria cultural. São Paulo: Editora Brasiliense S.A., 1980.
CROSS, Gary. Consumed nostalgia: Memory in the age of fast capitalism. Columbia University Press, 2015.
DAVIS, Fred. Yearning for yesterday: A sociology of nostalgia. New York: Free Press, 1979.
DELEUZE, Gilles. Cinema 1: A imagem-movimento. São Paulo: Editora 34, 2018.
DESTRI, Alana; LIMA, Anselmo. Aspectos da dimensão discursiva da memória nostálgica: Uma análise de editoriais da Revista Ferrovia. Fórum Linguístico, v. 17, nº 1, 2020.
FILHO, Jorge Cardoso; JANOTTI JÚNIOR, Jeder. A música popular massiva, o mainstream e o underground: trajetórias e caminhos da música na cultura midiática. In: INTERCOM – CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006, Brasília. Anais [...]. Brasília, 6-9 set. 2006. Disponível em http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/ 2006/resumos/r1409-1.pdf. Acesso em: 25 abr. 2026.
FREITAS, Ernani Cesar; MOURA, Rafael da Silva. Nos labirintos do tempo: a instituição do sujeito nostálgico sob um viés enunciativo. Revista Digital do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, v. 11, nº 4, 2018. Disponível em http://dx.doi.org/ 10.15448/1984-4301.2018.4.31259. Acessoe m: 25 abr. 2026.
GANDINI, Alessandro. Zeitgeist nostalgia: On populism, work and the “good life”. Zero Books, 2020.
GOÉZ, Angela María Benítez; ALZATE, Diana Milena Osorno. Marketing de nostalgia: propuesta para el Archivo Fotográfico de la Biblioteca Pública Piloto de Medellín. Revista Interamericana Bibliotecología, v. 40, nº 2, 2017.
GOULART, Giovanna; OLIVEIRA, Vânia Braz de. Café retrô: Invocando uma volta ao passado em um cenário mercadológico contemporâneo. Revista Univap, v. 22, nº 40, 2016. Disponível em https://doi.org/10.18066/revistaunivap.v22i40.1705. Acesso em: 25 abr. 2026.
GRAINGE, Paul. Nostalgia and style in retro America: Moods, modes, and media recycling. Journal of American Culture, nº 23(1), 2000.
HOLBROOK, Morris B.; SCHINDLER, Robert M. Market segmentation based on age and attitude toward the past: Concepts, methods, and findings concerning nostalgic influences on customer tastes. Revista de Pesquisa Empresaria, v. 37, nº 1, p. 27-39, 1996.
JAMESON, Frederic. As marcas do visível. Rio de Janeiro: Graal, 1995.
JAMESON, Frederic. Pós-modernismo, a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ática, 1997.
LEGGATT, Matthew. Was it yesterday? Nostalgia in contemporary film and television. USA: Suny Press, 2021.
LOVELAND, Katherine E.; Smeesters, Dirk; Mandel, Naomi. Still preoccupied with 1995: The need to belong and preference for nostalgic products. Journal of Consumer Research, vol. 37, n° 3, p. 393–408, 2010.
NATALI, Marcos Piason. A política da nostalgia: Um estudo das formas do passado. São Paulo: Nankin, 2006.
NIEMEYER. Katharina. O poder da nostalgia. In: SANTA CRUZ, L.; FERRAZ, T. (Orgs). Nostalgias e mídia: No caleidoscópio do tempo. Rio de Janeiro: E-Papers, 2018.
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares, 1993. Disponível em https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/12101/8763 Acesso em: 25 abr. 2026.
PENKALA, Ana. O mal-estar na visualização e outras estéticas: da imageria do audiovisual pós-moderno. 2011. 308 fls. Tese (Doutorado em Comunicação e informação – Programa de pós-graduação da UFRGS) – UFRGS. Porto Alegre. 2011.
PEREIRA, Mariana Lopes da Silva; HOR-MEYLL, Luis Fernando. Nostalgia de experiências memoráveis e a revisita a locais de turismo. ReMark – Revista Brasileira de Marketing, v. 16, nº 4, 2017. Disponível em https://doi.org/10.5585/remark.v16i4.3678. Acesso em: 25 abr. 2026.
PICHIERRI, Marco. Nostalgia marketing: Rekindling the past to influence consumer choices. Italy: Palgrave MacMilan, 2023.
RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais. E-Compós - Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, v. 21, n. 3, 2018.
REYNOLDS, Simon. Retromania: Pop culture’s addiction to its own past. London: Faber and Faber Ltd, 2012.
SANTA CRUZ, Lucia. Marcas e nostalgia: um caso de retromarketing. In: PERROTTA, Isabella; Santa CRUZ, Lucia (org). Marcas, memória e representação. Rio de Janeiro: Topbooks, 2017.
SATO, Cristiane A. JAPOP - O poder da cultura pop japonesa. São Paulo: NSP Hakkosha, 2007.
SEDIKIDES, Constantine et al. Nostalgia: Past, present, and future. Current Directions in Psychological Sciense, v. 17, nº 5, 2008. Disponível em: https://www.researchgate.net/ publication/313213209_Nostalgia_past_present_and_future. Acesso em: 25 abr. 2026.
STAROBINSKI, Jean. A tinta de melancolia: Uma história cultural da tristeza. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
TAVARES, Frederico de Mello Brandão; PRADO, Denise Figueiredo Barros do. Uma viagem no tempo: nostalgia e memória numa edição da Trip. Vozes & Diálogo, Itajaí, v. 16, n. 01, jan./jun. 2017.
YOUN, Seounmi. A trip down memory lane: Antecedents and outcomes of ad-evoked nostalgia on Facebook. Journal of Consumer Behaviour, v. 19, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1002/cb.1808. Acesso em: 25 abr. 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Aviso de Direito Autoral Creative Commons
1. Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).