“Todos têm direito a seus retratinhos”: o carnaval de Salvador entre os estúdios da Lindemann e as páginas da Renascença

Autores

  • Henrique Santos Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.22409/27etd033

Palavras-chave:

carnaval, mídia impressa, retratos, Revistas ilustradas, Salvador

Resumo

A partir da análise dos retratos de carnaval publicados na revista ilustrada Renascença, nos anos 1920, quando este periódico se consolidou como a principal mídia visual impressa de Salvador do período, a intenção deste artigo é perceber como os retratos não só registraram o movimento carnavalesco soteropolitano, como contribuíram para a produção de uma cultura visual momesca própria que dialogava com a sociedade baiana produzindo-a e sendo produzida por ela. Ao analisar os retratos considerando seus aspectos visuais e visíveis, pretendemos discutir como a relação entre o carnaval, a imprensa ilustrada e os retratos produziram mudanças e permanências na própria compreensão e percepção do papel sociocultural dos retratos bem como do próprio carnaval na produção de uma memória visual da sociedade baiana. 

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Biografia do Autor

  • Henrique Santos, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

    Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

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Publicado

2025-10-07

Como Citar

“Todos têm direito a seus retratinhos”: o carnaval de Salvador entre os estúdios da Lindemann e as páginas da Renascença. (2025). Mídia E Cotidiano, 19(3), 107-132. https://doi.org/10.22409/27etd033