Identidades, estereótipos e risadas: as representações da masculinidade negra de Latrell Spencer em “As Branquelas"
DOI:
https://doi.org/10.22409/7r2wef02Palavras-chave:
Cinema, Comédia, Identidade, Estereótipo, Masculinidade NegraResumo
O cinema, enquanto meio de comunicação, pode servir para a veiculação de representações e estereótipos que se cristalizam no meio social contribuindo para a fixação de um imaginário sobre identidades reducionistas apresentadas em tela. Obras cinematográficas do gênero comédia tem diversos exemplos que se valem de representações estereotipadas e negativas essencialistas sobre as populações negras. Com base nisso, o presente artigo tem como objetivo discutir as representações de masculinidade negra no cinema através da análise do personagem Latrell Spencer no filme As Branquelas (2004). Para isso, utilizamos do artifício metodológico da análise fílmica para construir inferências e interpretações que demonstram as formas como o filme em questão reduz o personagem do ator Terry Crews a estigmas historicamente construídos sobre o homem negro, mediante a hipersexualização do seu corpo e seu comportamento.
Downloads
Referências
AS Branquelas. Direção: Keenen Ivory Wayans. Estados Unidos: Columbia, 2004.
AUMONT, Jacques; MARIE, Michel. A Análise do Filme. Lisboa: Editora Texto & Grafia, 2009.
ALMEIDA, Milton. Imagens e sons: a nova cultura oral. 2a ed. São Paulo: Cortez, 2001.
BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. Trad. Antônio de P. Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
BERMÚDEZ, Ángel. A história brutal e quase esquecida da era de linchamentos de negros nos EUA. Geledés - Instituto da Mulher Negra, 2018. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/historia-brutal-e-quase-esquecida-da-era-de-linchamentos-de-negros-nos-eua/>. Acesso em: 22 dez. 2025
BERNARDET, Jean-Claude. O que é cinema? Primeiros passos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1980.
BIROLI, Flávia. Mídia, tipificação e exercícios de poder: a reprodução dos estereótipos no discurso jornalístico. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 6, p. 71-98, jul./dez. 2011.
CARRIÉRE, Jean-Claude. A linguagem secreta do cinema. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
CAPUANO, Amanda. Racismo e erro judicial: o real e a ficção da série ‘Olhos que Condenam’. Veja, 16 de junho de 2020. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/racismo-e-erro-judicial-o-real-e-a-ficcao-da-serie-olhos-que-condenam/>. Acesso em: 22 dez. 2025.
CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: Racismos contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano. 2003, p. 49-58.
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Tradução: Klauss Gerhardt. São Paulo: Paz e Terra, 2018.
CODATO, Henrique. Cinema e representações sociais: alguns diálogos possíveis. Revista Verso e Reverso, v. XXIV, n. 55, p. 47-56, jan./abr. 2010.
COLLINS, Patricia. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019.
CONNELL, Raewyn. Políticas de masculinidade. Revista Educação e Realidade, v. 20, n. 2, p. 185-206, jul./dez. 1995.
CONRADO, Mônica; RIBEIRO, Alan. Homem Negro, Negro Homem: masculinidades e feminismo negro em debate. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 25, n. 01, p. 73-97, jan./abr. 2017.
COSTA, Antonio. Compreender o cinema. Tradução: Nilson Louzada. 3ª ed. São Paulo: Globo, 2003.
COSTA, Pedro; BARROS, Rosemara; OLIVEIRA, Alexandre. Representações em tela sobre imaginação e imaginário amazônico: estudo de caso nas perspectivas de Bachelard e Durand. In: OLIVEIRA, Alexandre. Imagens e imaginários na Amazônia. Manaus: EDUA; São Paulo: Alexa Cultural, 2019.
DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. Tradução: Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016
DUARTE, Elizabeth. Sitcoms: das relações com o tom. In: SANTOS, Roberto; ROSSETTI, Regina (orgs.). Humor e riso na cultura midiática: variações e permanências. São Paulo: Paulinas, 2012.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução: Sebastião Nascimento e
colaboração de Raquel Camargo. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva & Guacira Lopes Louro. 11ª ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
HALL, Stuart. Cultura e representação. Tradução: Daniel Miranda e William Oliveira. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio: Apicuri, 2016.
HISTORY OF LYNCHING IN AMERICA. NAACP, [s. d.]. Disponível em: <https://naacp.org/find-resources/history-explained/history-lynching-america>. Acesso em: 22 dez. 2025.
HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. Tradução de Stephanie Borges. São Paulo: Elefante, 2019.
HOOKS, bell. A gente é da hora: homens negros e masculinidade. Tradução: Vinícius da
Silva. São Paulo: Elefante, 2022.
KNAUSS, Paulo. O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual. ArtCultura, Uberlândia, v. 8, n. 12, pp. 97-115, jan./jun. de 2006.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2020.
KORNIS, Mônica. História e Cinema: um debate metodológico. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 05, n. 10, pp. 237-250, 1992.
METACRITIC. White Chicks: critic reviews. San Francisco: Metacritic, 2025. Disponível em: https://www.metacritic.com/movie/white-chicks/critic-reviews/.Acesso em: 03 Jan. 2026.
MILHOMEM, Rafael; RUIZ, Marco. Humor, estereótipos e metapragmáticas: uma análise discursiva. In Revista, v.16, n. 01, p. 109-129, 2024.
MINOIS, Georges. A história do riso e do escárnio. São Paulo: Unesp, 2003.
NAPOLITANO, Marcos. A história depois do papel. In: PINSKY, Carla (org.). Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2008, p. 235-289.
NKOSI, Deivison. O pênis sem o falo: algumas reflexões sobre homens negros, masculinidades e racismo. In: BLAY, Eva. Feminismos e masculinidades: novos caminhos para enfrentar a violência contra a mulher. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014, p. 75-105.
PENAFRIA, Manuela. Análise de Filmes - conceitos e metodologia(s). VI Congresso SOPCOM, abr. 2009.
PINHO, Osmund. Qual é a identidade do homem negro? Democracia Viva, n. 22, p. 64-69, jan./jun. 2004.
OLIVEIRA, Henrique. “Olhos que Condenam”e o mito do negro estuprador nos EUA. Avoador, 26 de junho de 2019. Disponível em: <https://avoador.com.br/opiniao/olhos-que-condenam-e-o-mito-do-homem-negro-estuprador-nos-eua/>. Acesso em: 22 dez. 2025.
RIBEIRO, Djamila. O corpo da mulher negra como pedaço de carne barata. Geledés, 2015. Disponível em: https://www.geledes.org.br/o-corpo-da-mulher-negra-como-pedaco-de-carne-barata/. Acesso em: 18 set. 2026.
ROSA, Renata. Humor pós-moderno: no rastro do movimento multiculturalista. Contrapontos, Itajaí, v. 04, n. 03, p. 579-588, set./dez. 2004.
ROTTEN TOMATOES. White Chicks, [s. d.]. Disponível em: https://www.rottentomatoes.com/m/white_chicks. Acesso em: 02 jan. 2026.
SELIGMAN, Flávia. O ar da graça: a comédia norte-americana dos anos 20 e 30. Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación, v. VIII, n. 2, mai./ago. 2006.
SILVA, Vladimir et al. Um ensaio sobre a questão racial no esporte. Motrivivência, Florianópolis, v. 32, n. 63, p. 01-17, jul./dez. 2020.
VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. 5 ed. Tradução: Marina Appenzeller. Campinas: Papyrus, 2008:1994.
WOLF, Naomi. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Aviso de Direito Autoral Creative Commons
1. Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).