Os sentidos apontando para uma nova transformação, de Hélio Oiticica

Luiz Guilherme Vergara, Kelly Santos, Hélio Oiticica

Resumo


Este texto foi escrito para o Simpósio de “arte tátil” realizado este ano (12 de  julho  de  1969)  na  Universidade Estadual da Califórnia em  Long  Beach  –
Lygia Clark e eu fomos convidados. O texto pretende mostrar e definir as possíveis  relações  com  o  sujeito  e,  também,  as  profundas  diferenças,  indicando  os pontos em comum entre os trabalhos de ambos e a procura de um novo exercício
de comunicação que, ao invés de uma busca por “invenções formais”, sirva como
uma verdadeira linha de pensamento para lidar com os desafios da atualidade.

Palavras-chave


Oiticica; arte brasileira; arte contemporânea; Studio International

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Referências


(1) N. do T.: Ressalta-se ao longo deste texto uma característica “literária” de Hélio Oiticica no uso do traço de união (hífen) investido de semântica como junção poética preenchendo o elo entre duas palavras por um elemento gráfico que ultrapassa a linguagem escrita para uma confluência gráfica. Exemplo: "_é a total incorporação. É a incorporação do corpo na obra e da obra no corpo... eu chamo in traço de UNIÃO, corporação”. (CARDOSO, Ivan. Ivanpirismo p. 68-69). Citação apresentada por Cesar Oiticica Filho em seu texto “A arte supra-sensorial do Yoga.” Da mesma forma, podese reconhecer também o uso recorrente das setas “→” tornando o texto como uma geopoética de atenção, sinalização e caminho. Um aprofundamento maior é também reconhecido como possível apropriação ou parte da alfabetização do Hélio junto ao seu avô José Oiticica, que elaborou uma gramática com uso de setas, círculos e outras formas de sobrepor a escrita com um dispositivo gráfico visual, mais uma vez territorializando o texto como uma geopoética entre leitura-caminho. (Depoimentos da Vera Oiticica, tia do Hélio Oiticica, em conversas sobre a gramática Oiticica com Luiz Guilherme Vergara nos anos 1990.)

(2) No uso fora do padrão de Oiticica do termo “objetal”, o sufixo “-al” significa “relacionado com; do tipo de” um objeto, em vez de como-objeto.

(3) N. do T.: Observou-se no documento original do Hélio Oiticica (datilografado, p. 1, em inglês) um desacordo com o documento do MIT (ARTMargins). Assim, no documento original: “the dissolution of art into it is not also ‘an objectal dissolution’ but a fowing of concentrated specific ideas” [...] Na edição da ARTMargins, o verbo “fowing” está como “forming” of concentrated specific ideas. Ressalte-se a diferença de sentido entre “fowing” como “temendo” e “forming” – formando. Paula Braga sugere “flowing”, sendo um verbo bastante usado pelo artista. Assim, Oiticica teria cometido um erro de datilografia esquecendo o “l” de “flowing”. Texto encontrado no link: https://legacyssl.icnet-works.org/extranet/enciclopedia//ho/detalhe/docs/ds p_imagem.cfm?name=anexo/0486.69%20normal%20p01%20-%20567.gif. (último acesso em 28 de outubro de 2018). Um outro link encontra-se uma versão datilografada com correções a mão do artista sobre o texto, também com “flowing”: https://legacyssl.icnetworks .org/extranet/enciclopedia//ho/detalhe/docs/dsp_imagem.cfm?name=anexo0486.69% 20normal%2004%20-%20569.gif (último acesso em 28 de outubro de 2018).

(4,5) Oiticica usa aqui uma forma adjetival rara “significativo”, no sentido de “ser um símbolo ou signo de algo; tendo um significado”.

(6) N. do T.: Na tradução do inglês de “sympathetic creative process”, optamos por “processos criativos sinergéticos”.

(7) O uso por Oiticica do termo “insuficiência” não está gramaticalmente correto, uma vez que nomes de origem latina convencionalmente tomam o prefixo “in-” em inglês. Entretanto, além do sentido de “ausência de”, o prefixo “un-” carrega o sentido de “o inverso de” como também o de “ausência de”, a qual “in-” não tem e, portanto, serve aqui como um intensificador.

(8) Assim como em "objetal", o sufixo "-al" em "grupal" significa "relacionado a; do tipo de” um grupo, ao invés de grupo. Também é possivelmente uma construção portmanteau, fundindo os sentidos de "grupo" e "comunal".

(9) N. do T.: Utilizamos trecho traduzido pelo próprio artista e publicado como Carta Hélio Oiticica para Lygia Clark. Londres, 27/6/1969. In FIGUEREDO, Luciano (Org.). Lygia Clark – Helio Oiticica: Cartas 1964-74. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998, p. 121.

(10,11) Na tradução da ARTMargins não consta “processo-vital”. Apenas na tradução feita na carta do Hélio Oiticica para Lygia Clark, conforme citado na nota acima.

(12) N. do E.: A imagem à p. 17 é um fac-símile de uma das versões/reelaborações de Hélio Oiticica para o texto aqui traduzido.




DOI: https://doi.org/10.22409/poiesis.v20i34.38529

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