Vozes silenciadas: colonialismo, gênero e a exclusão das mulheres africanas na literatura portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.22409/abriluff.v18i36.68500Palavras-chave:
colonialidade, gênero, literatura africana, exclusão epistêmica, políticas culturaisResumo
Este artigo analisa os mecanismos de exclusão das vozes femininas africanas na literatura colonial portuguesa e suas reverberações nas políticas culturais pós-independência. A partir de uma abordagem qualitativa e crítica, articulando teoria pós-colonial, feminismos descoloniais e sociologia da cultura, investiga-se como dispositivos institucionais — como editais, legislações e arquivos — naturalizaram o apagamento de autoras como Noémia de Sousa e Alda Lara. Os resultados revelam que a colonialidade do saber perpetuou hierarquias de gênero e raça, mesmo após as independências, com políticas de reconhecimento que mantêm filtros seletivos. Conclui-se que a justiça epistêmica exige não apenas inclusão no cânone, mas a desestruturação dos critérios de legitimação literária herdados do colonialismo.
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