A literatura colonial portuguesa e suas reconfigurações pós-coloniais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/abriluff.v18i36.68796

Palavras-chave:

Memória literária, Colonialismo, Descolonização, Lusotropicalismo, Arquivo

Resumo

Este artigo examina a produção literária fomentada pelos Concursos de Literatura Colonial (1926) e Ultramarina (1954), analisando sua função na construção de um imaginário imperial português e seu posterior apaga-mento após o 25 de Abril. A justificativa reside na necessidade de revisitar criticamente esse corpus, muitas vezes excluído dos cânones metropolitanos, mas ressignificado nos sistemas literários africanos. O objetivo geral é com-preender como essas narrativas, inicialmente vinculadas ao lusotropicalismo e à propaganda colonial, foram posteriormente assimiladas ou rejeitadas nas literaturas nacionais emergentes. A metodologia utilizada combina análise discursiva de obras premiadas nesses concursos (corpus) com uma abordagem teórica pós-colonial (Said, 1993; Bhabha, 1994) e estudos sobre colonialidade (Quijano, 2000). Os resultados indicam que a literatura colonial portuguesa opera como um arquivo ambíguo, simultaneamente instrumento de domi-nação e matéria-prima para contra-narrativas africanas. Conclui-se que sua releitura contemporânea exige um diálogo crítico com as epistemologias do Sul (Santos, 2018), capaz de desvelar tanto suas violências simbólicas quanto suas resiliências culturais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Isabella Tavares Sozza Moraes, Universidade de São Paulo (USP)

    Doutoranda em Letras (Língua, Literatura e Cultura Italianas) pela Universidade de São Paulo (USP). Docente de Língua Portuguesa e Redação no Projeto Portas Abertas da Universidade Santo Amaro (UNISA).

Referências

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Tradução de Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981. [1963].

BHABHA, Homi K. The location of culture. London: Routledge, 1994.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 15. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

COUTO, Mia. Terra sonâmbula. Maputo: Ndjira, 1992.

DERRIDA, Jacques. A escritura e a diferença. Tradução de Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1967.

DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Tradução de Ana Godinho. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 9. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1996.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. Rio de Janeiro: Maia & Schmidt, 1933.

LOPES, Manuel. Chuva braba. Lisboa: Editorial Ática, 1956.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. São Paulo: n-1 edições, 2011.

NIETZSCHE, Friedrich. A genealogia da moral. Tradução de Paulo Cezar de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. [1887].

NORA, Pierre. Between memory and history: les lieux de mémoire. Repre-sentations, Berkeley, n. 26, p. 7–24, Spring 1989. Special Issue: Memory and Counter-Memory. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/2928520. Acesso em: 14 jan. 2026. DOI: 10.2307/2928520.

PEPETELA. Mayombe. Lisboa: Caminho, 1980.

ROSE, Nikolas. Powers of freedom: reframing political thought. Cambri-dge: Cambridge University Press, 1999.

SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente.

Tradução de Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. SAID, Edward W. Culture and imperialism. New York: Knopf, 1993.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do sul. Coimbra: Almedina, 2018.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O direito dos oprimidos. São Paulo: Cor-tez, 2014.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Can the subaltern speak? In: NELSON, Cary; GROSSBERG, Lawrence (org.). Marxism and the interpretation of culture. Urbana: University of Illinois Press, 1988. p. 271–313.

Downloads

Publicado

2026-07-31

Como Citar

A literatura colonial portuguesa e suas reconfigurações pós-coloniais. (2026). Abril – NEPA UFF, 18(36), 17-28. https://doi.org/10.22409/abriluff.v18i36.68796