GASTRONOMY, MATRILINEALITY, AND MEMORY

THE ARTUROS CULINARY SCHOOL AS A SPACE OF ANCESTRAL KNOWLEDGE

Authors

DOI:

https://doi.org/10.22409/qq33af45

Keywords:

Ancestral knowledge, Black women, Formative Processes, Congado, Matrilineality

Abstract

This study analyzes the Quilombola Community of Arturos, in Contagem, Minas Gerais, highlighting the centrality of matrilineality and female protagonism in the preservation of ancestral knowledge and Afro-Brazilian cultural practices. Based on documentary sources, oral histories, and the Gastronomic Kitchen School Project: Knowledge and Memories of the Quilombo, it is observed that women play a fundamental role in transmitting culinary knowledge, maintaining religious traditions, and building collective memory. The research highlights that orality and female leadership structure the community's social and cultural organization, ensuring the continuity of historical practices that resist the inequalities imposed by structural racism. Furthermore, the study engages with
Afrocentric and decolonial perspectives, considering matrilineality as a pillar of strengthening the identity, autonomy, and resistance of Black women, demonstrating how gastronomy and other cultural practices constitute spaces of formation, belonging, and valorization of Africanness in Afro-diasporic contexts. 

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

  • Silvani dos Santos Valentim, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET MG

    Professora Associada do Departamento de Educação do CEFET-MG. Possui graduação em Pedagogia pela UFMG (1992), Mestrado em Currículo e Instrução Pública pela Michigan State University, EUA (1995) e Ph.D em Educação – Gestão e Políticas Educacionais pelo Programa Interdisciplinar em Estudos Urbanos da Temple University, EUA (2004). Atua no PPGET em Educação Tecnológica, no Programa de Formação Docente e na Coordenadoria de Gênero, Raça, Ações Afirmativas e Identidades (CGRAI). Sua pesquisa concentra-se em relações raciais e educação, gênero e diversidades, currículo e formação de professores(as). Coordena projetos como Afrociências (CNPq), Afrocientista (Instituto Unibanco/ABPN) e Minas Negras (British Council/ABPN), e, por meio do NEAB/CEFET-MG, estuda as trajetórias escolares de estudantes afro-brasileiros. Foi diretora Relações Internacionais da ABPN (2022-2024), membro da AERA e da ANPED (GT 21) e coordena a Rede Mulheres, Gênero e Diversidades (Rede MGD) do Movimento Internacional de Mulheres – Graal. Coordenadora do Projeto Minas Negras/CNPq.

  • Gabrielle Lorrane Vaz Henrique, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET MG

    Formada em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas, nas modalidades de Licenciatura e Bacharel. Graduação em andamento em Pedagogia pela Faculdade Única. Pós-graduação lato sensu em Gestão e Projetos de Patrimônio Cultural pelo IEPHA Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e a UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais. Mestranda em Educação Tecnológica CEFET - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Atualmente está como Diretora de Memória e Patrimônio de Contagem-MG.

References

BARRETO, Raquel. Quilombo, palavra que significa união. Revista Pernambuco, Recife, 2020. Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/acervo/artigos/2409-quilombo,-palavra-que-significa-uni%C3%A3o.html. Acesso em: 19 fev. 2026.

BARRETO, Raquel. Representatividade e racismo: incursões sobre imagens de peles negras. Revista Pernambuco, Recife, 8 jul. 2019. Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/acervo/artigos/2312-representatividade-e-racismo-incurs%C3%B5es-sobre-imagens-de-peles-negras.html. Acesso em: 19 fev. 2026.

BELCHIOR, Douglas; MOREIRA, Adriana. O maior espetáculo do pobre da atualidade é comer. In: CAMPELLO, Tereza; BORTOLETTO, Ana Paula (org.). Da fome à fome: diálogos com Josué de Castro. São Paulo: Cátedra Josué de Castro; Zabelê Comunicação; Editora Elefante, 2022.

BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Diretrizes para o atendimento de povos indígenas e povos e comunidades tradicionais em programas de segurança alimentar e nutricional. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome, 2024. Disponível em: https://mds.gov.br/webarquivos/MDS/2_Acoes_e_Programas/Acesso_a_Alimentos_e_a_Agua/Articulacao_de_Politicas_Publicas_de_SAN_para_Povos_e_Comunidades_Tradicionais/Arquivos/Cartilha_Diretizes.pdf. Acesso em: 18 fev. 2026.

CEASAMINAS. Comunidade Quilombola dos Arturos vai começar a comercializar na CeasaMinas. Contagem, 18 out. 2024. Disponível em: https://www.ceasaminas.com.br/noticiageral.asp?codigonoticia=5543. Acesso em: 19 fev. 2026.

EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Literatura e oralidade africanas: mediações. Revista Mulemba, v. 14, n. 2, p. 12-23, 2016. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/mulemba/article/view/5327. Acesso em: 13 ago. 2025.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE MINAS GERAIS – IEPHA/MG. Dossiê de Registro da Comunidade dos Arturos Contagem/MG. Belo Horizonte: Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, 2014. Disponível em: https://www.iepha.mg.gov.br/index.php/component/phocadownload/category/14-comunidade-dos-arturos. Acesso em: 10 ago. 2025.

INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DE MINAS GERAIS – IEPHA/MG. Dossiê de Revalidação do Registro da Comunidade dos Arturos Contagem/MG, 2024. Belo Horizonte, 2024. Disponível em: https://www.iepha.mg.gov.br/index.php/component/phocadownload/category/14-comunidade-dos-arturos. Acesso em: 10 ago. 2025.

IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DOS ARTUROS. Projeto Cozinha Escola de Gastronomia Arturos: Sabores das memórias quilombolas. [S.l.]: Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Comunidade Quilombola dos Arturos, 2025.

JESUS, Carolina Maria de (1960). Quarto de despejo: diário de uma favelada. 6. ed. São Paulo: Francisco Alves.

JUNIOR, Henrique Cunha. Tecnologia africana na formação brasileira. Rio de Janeiro: Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP, 2010.

NASCIMENTO, Elisa Larkin. A matriz africana no mundo. Rio de Janeiro: Editora Selo Negro, 2008.

NORONHA, Vânia. Rastros de África no Brasil: práticas educativas no Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2017.

OLIVEIRA, Fernanda Chamarelli. O matriarcado e o lugar social da mulher em África: uma abordagem afrocentrada a partir de intelectuais africanos. ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas, [S.l.], v. 3, n. 6, p. 316–339, 2018. DOI: 10.22481/odeere.v3i6.4424. Disponível em: http://periodicos2.uesb.br/odeere/article/view/4424. Acesso em: 23 jul. 2025.

OLIVEIRA, Ana Ximenes Gomes de. Fêmea-matriz: a maternidade em Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. 2015. 123 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/9309. Acesso em: 23 jun. 2025.

PREFEITURA DE CONTAGEM. Produtores da Comunidade dos Arturos são reconhecidos pelo Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Contagem, 2024. Disponível em: https://portal.contagem.mg.gov.br/portal/noticias/0/3/80475/produtores-da-comunidade-dos-arturos-sao-reconhecidos-pelo-cadastro-nacional-da-agricultura-familiar-caf. Acesso em: 19 fev. 2026.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, p. 3–15, 1992. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/2278. Acesso em: 19 fev. 2026.

RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro?. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

RODRIGUES, Márcio Urel; SILVA, Luciano Duarte; SGUERRA MISKULIN, Rosana Giaretta. Conceito de Comunidade de Prática: um olhar para as pesquisas na área da Educação e Ensino no Brasil. Revista de Educação Matemática, [S. l.], v. 14, n. 16, p. 16–33, 2017. Disponível em: https://www.revistasbemsp.com.br/index.php/REMat-SP/article/view/290. Acesso em: 14 ago. 2024.

SALLES-COSTA, Rosana. Desafios políticos da retomada da fome e da insegurança alimentar no Brasil. In: CAMPELLO, Tereza; BORTOLETTO, Ana Paula (org.). Da fome à fome: diálogos com Josué de Castro. São Paulo: Cátedra Josué de Castro; Zabelê Comunicação; Editora Elefante, 2022.

SANTANA BARBOSA, M. Pan-africanismo e relações internacionais: uma herança (quase) esquecida. Carta Internacional, [S.l.], v. 11, n. 1, p. 144–162, 2016. DOI: 10.21530/ci.v11n1.2016.347. Disponível em: https://www.cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/347. Acesso em: 23 jul. 2025.

SOUZA, C. G. de; RIBEIRO, D. de A. Reflexões sobre práticas alimentares em comunidades quilombolas e os impactos do racismo na invisibilização dos saberes. Revista de Alimentação e Cultura das Américas, jan./jul. 2023, 4(1): 89–104. Disponível em: https://raca.fiocruz.br/index.php/raca/article/view/148. Acesso em: 24 jul. 2025.

VELHO, Gilberto. Patrimônio, negociação e conflito. Mana, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 237-248, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j//a/NtsgyP5DLx9P867hBBhv3xh/?lang=pt. Acesso em: 29 fev. 2023.

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Tradução de Adriana Amaral. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

Published

2026-10-30