GASTRONOMIA, MATRILINEARIDADE E MEMÓRIA
A COZINHA ESCOLA DOS ARTUROS COMO ESPAÇO DE SABER ANCESTRAL
DOI:
https://doi.org/10.22409/qq33af45Palavras-chave:
Congado, Matrilinearidade, Mulheres negras, Processos Formativos, Saberes ancestraisResumo
O presente estudo analisa a Comunidade Quilombola dos Arturos, em Contagem/MG, destacando a centralidade da matrilinearidade e o protagonismo feminino na preservação de saberes ancestrais e práticas culturais afro-brasileiras. A partir de fontes documentais, relatos orais e do Projeto Cozinha Escola Gastronômica Saberes e Memórias do Quilombo, observa-se que as mulheres desempenham papel fundamental na transmissão de conhecimentos culinários, na manutenção das tradições religiosas e na construção da memória coletiva. A pesquisa evidencia que a oralidade e a liderança feminina estruturam a organização social e cultural da comunidade, garantindo a continuidade de práticas históricas que resistem às desigualdades impostas pelo racismo estrutural. Além disso, o estudo dialoga com perspectivas afrocentradas e decoloniais, considerando a matrilinearidade como eixo de fortalecimento da identidade, autonomia e resistência das mulheres negras, demonstrando como a gastronomia e outras práticas culturais se constituem em espaços de formação, pertencimento e valorização da africanidade nos contextos afro-diaspóricos.
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