Porque o Policial Aborda? Um estudo empírico sobre a fundada suspeita

Tânia Pinc

Resumo


No ano de 2013, quase quinze milhões de abordagens foram realizadas no estado de São Paulo, montante equivalente a um terço da população paulista. Essa intervenção encontra amparo na fundada suspeita, que atribui poder discricionário ao policial para decidir pela abordagem, contudo é um conceito ainda pouco discutido no Brasil. Os governos estaduais tendem a tratar a política de abordagem com pouca transparência. Quando dados estatísticos são divulgados, informa apenas o volume de abordagens e não indica características individuais das pessoas abordadas, nem as condições em que a abordagem se realizou. O objetivo principal desse estudo é aprofundar a análise sobre a abordagem, com ênfase nos fatores que influenciam a tomada de decisão do policial. Em contraponto ao caráter normativo, a hipótese central deste estudo sustenta que a fundada suspeita pode ser explicada por três fatores: atitude da pessoa abordada; taxas criminais; e características do ambiente. A metodologia empregou a análise quantitativa que permitiu criar novos constructos da abordagem. Os dados foram coletados por meio de formulário aplicado a policiais que trabalham na cidade de São Paulo.


Palavras-chave


Abordagem policial; Fundada suspeita; Polícia; Segurança pública

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DOI: https://doi.org/10.22409/conflu16i3.p374

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