Islamofobia brasileira online: discursos fechados sobre o Islam em uma rede social

Felipe Freitas de Souza

Resumo


Atualmente, circulam representações negativas sobre os muçulmanos em diferentes redes sociais, operando uma estereotipia dos muçulmanos e do Islam. A islamofobia, compreendida enquanto ações de violência simbólica ou física contra muçulmanos pelo mero fato de serem muçulmanos, é pressuposta enquanto o mote dessas representações. A apreensão de que os muçulmanos seriam uma ameaça constata-se desde o medievo. O presente texto visa expor as oito leituras de discurso islamofóbico presentes no relatório do The Runnymede Trust aplicadas sobre postagens na rede social Twitter, de modo a constatar tais modalidades de islamofobia online.  As leituras são de que o Islam é monolítico, estático, alheio à nossa sociedade, inferior, nêmesis, manipulador, sendo justificável a discriminação contra muçulmanos, desmerecendo a crítica ao Ocidente realizada pelos muçulmanos e naturalizando o discurso anti-Islam. Os exemplos mobilizados indicam a presença de esquemas de preconceito já identificados em outros países. Para tanto, remetemos a pesquisas e relatórios internacionais. Em nosso levantamento, apreendemos também a leitura de que o Islam não é uma religião, mas uma ideologia. Concluímos refletindo sobre o posicionamento islamofóbico ser tratado enquanto manifestação de barbárie.


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DOI: https://doi.org/10.22409/pragmatizes2017.13.a10458

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