Apresentação: Patrimônios em disputa: agendas, agentes e agenciamentos patrimoniais
DOI :
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i2.a71872Mots-clés :
Disputas, Patrimônios insurgentes, Políticas patrimoniais.Résumé
Este texto é a apresentação do dossiê intitulado “Patrimônios em disputa: agendas, agentes e agenciamentos”. Nos últimos anos, temos assistido a uma ampliação sem precedentes do campo de ação do patrimônio. Essa ampliação tem gerado debates acalorados em torno das demandas por processos de patrimonialização operadas por um conjunto diversificado de agentes que têm cada vez mais incorporado a linguagem do patrimônio para a construção de sujeitos políticos e demandas por direitos. Considerando esse estado de coisas, o objetivo deste dossiê é situar desde a antropologia um conjunto de questões centrais para a compreensão dos contenciosos, jogos de interesse e formas de agenciamento relacionados ao manejo das políticas patrimoniais na atualidade. Nessa apresentação, buscamos privilegiar a história das formas de gestão das políticas patrimoniais no Brasil, focalizando as diferentes maneiras como o estado brasileiro se aproximou ou não da noção de diferença. Dialogando com a literatura sobre memória, procuramos ainda discutir como a antropologia tem pensado as políticas de memória através das estratégias memorialísticas operadas por coletivos historicamente silenciados na agenda do patrimônio. Assim, o conjunto de artigos que compõem esse dossiê situa suas preocupações nesse terreno contestado e movediço no qual circulam agentes, agendas políticas e estratégias de agenciamento que negociam outras narrativas patrimoniais. Com base em abordagens etnográficas, reunimos artigos que nos ajudam a adensar as reflexões sobre patrimônios insurgentes e incômodos, contramemórias e memórias sensíveis, a fim de promover um debate produtivo sobre patrimônios, direitos humanos e exercício da cidadania.
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