O Ilê Aiyê e o mundo africano na Bahia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i1.a67042

Palavras-chave:

Bahia, Carnaval., Cultura afro-brasileira

Resumo

Esta resenha aborda o último livro em português do antropólogo Michel Agier, Ilê Aiyê: a fábrica do mundo afro, publicado em 2024, uma versão condensada, revista e atualizada de Anthropologie du carnaval: la ville, la fête et l’Afrique à Bahia, publicado em 2000, com posfácio de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães e fotografias de Milton Guran. O livro combina abordagens etnográficas sobre práticas de integrantes do Ilê Aiyê com reconstituições históricas voltadas à compreensão de suas mudanças estruturais ao longo de cinquenta anos de existência. São tratados temas como o evento de fundação do bloco, no carnaval de 1975 em Salvador, com a participação apenas de negros; a historicidade urbana e sociológica de Salvador, assinalada pela forte presença inicial de negros escravizados, que posteriormente buscaram se inserir na difícil estrutura empregatícia local, numa sociedade separada entre uma elite branca e uma enorme classe de negros e mestiços imersos na pobreza; as origens do Ilê Aiyê no bairro popular e negro da Liberdade, o papel de seus fundadores nas articulações entre família, vizinhança e práticas religiosas e culturais; a importância dos rituais ligados ao carnaval e as diversas dimensões africanas de tal evento; e o sistema cultural no qual blocos como o Ilê Aiyê realizam um conjunto plural e abrangente de práticas. Tal publicação propicia novos debates sobre lutas antirracistas que se expandem significativamente no Brasil.

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Biografia do Autor

  • Heitor Frúgoli Junior, Universidade de São Paulo

    Professor titular do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo, com doutorado-sanduíche na University of California, San Diego.

Referências

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Publicado

2026-03-02

Edição

Secção

Resenhas

Como Citar

O Ilê Aiyê e o mundo africano na Bahia. (2026). Antropolítica - Revista Contemporânea De Antropologia, 58(1). https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i1.a67042