Sob a sombra do ancestral: colonialismo, capitalismo e a crise do presente
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i2.a68246Palavras-chave:
Catástrofe ancestral, Liberalismo tardio, Colonialismo, Resistência.Resumo
Esta resenha crítica da obra Catástrofe ancestral: e existências no liberalismo tardio, de Elizabeth Povinelli, explora a complexidade das crises contemporâneas a partir de uma perspectiva antropológica densa e engajada. O livro propõe que a catástrofe não é um fenômeno inédito, mas uma condição ancestral, cujas raízes remontam ao colonialismo e ao racismo estrutural. Povinelli argumenta que o liberalismo tardio, ao absorver demandas por justiça social e ambiental, não altera sua lógica central de exploração e exclusão, perpetuando violências contra povos subjugados e territórios vulneráveis. A autora fundamenta sua análise na experiência com comunidades aborígenes na Austrália, evidenciando como a existência desses grupos é marcada pela luta cotidiana por sobrevivência e dignidade. O diálogo com teóricos como Arendt, Césaire, Deleuze, Glissant e Guattari permite à autora construir uma crítica que vai além da denúncia, apontando para a necessidade de reconhecer os saberes e práticas dos povos marginalizados como alternativas efetivas de vida. A obra desafia a antropologia a repensar suas bases disciplinares, propondo uma postura ética e política comprometida com a transformação radical das relações entre humanos e não humanos, entre culturas e territórios. Assim, o livro se apresenta como uma referência fundamental para compreender as crises globais e buscar caminhos possíveis para a justiça ecológica e social.
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Referências
POVINELLI, Elizabeth Catástrofe ancestral: e existências no liberalismo tardio. Tradução de Mariana Ruggieri e de Mariana Lima. São Paulo: Ubu Editora, 2024.
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