Guerrilha patrimonial: arte, corpo e narrativas na paisagem monumental do Recife
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i2.a69400Palavras-chave:
Guerrilha patrimonial, Antropologia urbana, Monumentalismo, Gênero e cidade.Resumo
As grandes cidades modernas frequentemente utilizam monumentos para inscrever narrativas de um passado glorioso, construindo uma simbiose entre paz e disciplina que apaga as violências fundadoras da ordem estabelecida. Contrapondo-se a essa lógica patriarcal e colonial, este trabalho investiga o fenômeno da “guerrilha patrimonial”, analisando como as intervenções artísticas de Clara Moreira e Juliana Notari, em Recife, ressignificam o patrimônio urbano. A pesquisa foca na “mulher gigante” de Moreira, que perambula pela cidade e intervém em sua paisagem fálica para “furar o silêncio” e propor uma “horizontalidade”, e na instalação “Diva” de Notari, um monumentalismo “para dentro” que opera como uma “prospecção” da ferida colonial e de gênero no território. Por meio de uma abordagem interdisciplinar que articula estudos urbanos, de gênero e decoloniais, o estudo examina o corpus artístico e os discursos das artistas para compreender suas táticas contra-hegemônicas. Os resultados apontam que a “destruição desejante” de Moreira visa reescrever a paisagem sem aniquilá-la, enquanto a prospecção de Notari expõe o “sangue escondido pela estética monumental do patriarcado”, transformando a ferida em potência. Conclui-se que essa guerrilha não busca a abolição do patrimônio, mas sua subversão estratégica, “cavando armadilhas para a ereção do patrimônio” a fim de abrir espaço para a emergência de outras memórias e futuros urbanos.
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