O corpo gay como cartógrafo sensível da cidade: arte, entre-lugares urbanos e produção de lugar
DOI:
https://doi.org/10.22409/arte.lugar.cidade.v3i1.70428Palavras-chave:
arte queer, entre-lugares, produção de lugar, corpo gay, espaço públicoResumo
Este artigo analisa como a arte queer produz lugar nos entre-lugares da cidade. Tem-se como ponto de partida o argumento de que o corpo gay, quando acionado por práticas artísticas no espaço público, atua como operador sensível capaz de tensionar regimes de circulação, visibilidade e memória urbana. A partir de um diálogo entre estudos da performance, geografia das sexualidades e filosofia política da estética, investiga-se de que modo essas intervenções instauram economias sensíveis do olhar, convertendo deslocamentos funcionais em acontecimentos estético-políticos e reconfigurando a partilha do sensível na cidade. O texto defende que o lugar não antecede a obra, mas emerge da troca sensível entre arte, corpo e público, produzindo experiências que desafiam protocolos normativos do aparecer. Argumenta-se ainda que tais práticas geram memórias não monumentais, capazes de reinscrever presenças dissidentes em territórios concebidos para a transitoriedade. Conclui-se que a arte queer não ocupa a cidade, mas a reprograma sensivelmente, fazendo do corpo gay um vetor de reescrita do comum urbano.
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