O corpo gay como cartógrafo sensível da cidade: arte, entre-lugares urbanos e produção de lugar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/arte.lugar.cidade.v3i1.70428

Palavras-chave:

arte queer, entre-lugares, produção de lugar, corpo gay, espaço público

Resumo

Este artigo analisa como a arte queer produz lugar nos entre-lugares da cidade. Tem-se como ponto de partida o argumento de que o corpo gay, quando acionado por práticas artísticas no espaço público, atua como operador sensível capaz de tensionar regimes de circulação, visibilidade e memória urbana. A partir de um diálogo entre estudos da performance, geografia das sexualidades e filosofia política da estética, investiga-se de que modo essas intervenções instauram economias sensíveis do olhar, convertendo deslocamentos funcionais em acontecimentos estético-políticos e reconfigurando a partilha do sensível na cidade. O texto defende que o lugar não antecede a obra, mas emerge da troca sensível entre arte, corpo e público, produzindo experiências que desafiam protocolos normativos do aparecer. Argumenta-se ainda que tais práticas geram memórias não monumentais, capazes de reinscrever presenças dissidentes em territórios concebidos para a transitoriedade. Conclui-se que a arte queer não ocupa a cidade, mas a reprograma sensivelmente, fazendo do corpo gay um vetor de reescrita do comum urbano.

Biografia do Autor

  • Gustavo Oliveira Scherer, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil

    Gustavo Oliveira Scherer é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Artes e Cultura Contemporânea da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGArtes-UERJ) e mestre pelo mesmo Programa da UERJ.

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Publicado

2026-04-29

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

O corpo gay como cartógrafo sensível da cidade: arte, entre-lugares urbanos e produção de lugar. arte :lugar :cidade, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 138–157, 2026. DOI: 10.22409/arte.lugar.cidade.v3i1.70428. Disponível em: https://periodicos.uff.br/arte-lugar-cidade/article/view/70428. Acesso em: 3 maio. 2026.