Entre a memória e o esquecimento: algumas reflexões sobre o teatro europeu no início da Primeira Guerra Mundial

Autores

  • Daniela Simone Terehoff Merino Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.22409/cadletrasuff.2020n60a763

Palavras-chave:

Primeira Guerra Mundial, Teatro europeu, Paul Ricoeur

Resumo

O teatro europeu encenado durante o período inicial da Primeira Guerra Mundial é marcado pelo seguinte contraste: de um lado, encenam-se peças que abordam a temática bélica; do outro, os atores levam o riso e o entretenimento em sua forma mais pura para plateias sedentas por diversão. O presente artigo lança luz sobre esta contradição com base em conceitos de A memória, a história e o esquecimento, de Paul Ricoeur.

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Biografia do Autor

Daniela Simone Terehoff Merino, Universidade de São Paulo

Mestre em Literatura e Cultura russa pela Universidade de São Paulo. Atualmente é doutoranda na área de Literatura e Cultura Russa do Programa Letras estrangeiras e tradução (LETRA) da USP. Desenvolve sua pesquisa com bolsa FAPESP (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo, processo número 2017/21093-8), sob a supervisão da profa. Dra. Elena Vássina.

Referências

‘o horizonte comum da memória, da história e do esquecimento” (RICOEUR, 2007, p.465)

‘Para falar sem rodeios, não temos nada melhor que a memória para significar que algo aconteceu, ocorreu, se passou antes que declarássemos nos lembrar dela.” (RICOEUR, 2007, p.41)

‘(...) o leitor [de ficção] suspende de bom grado sua desconfiança, sua incredulidade, e aceita entrar no jogo do como se – como se aquelas coisas narradas tivessem acontecido. Ao abrir um livro de história, o leitor espera entrar, sob a conduta do devorador de arquivos, num mundo de acontecimentos que ocorreram realmente.” (RICOEUR, 2007, p.275).

‘Mais pobres em experiências comunicáveis, e não mais ricos”. (BENJAMIN, 1987, p.115)

‘em grande número, às vezes dezenas de milhares num só dia.” (FREUD, 2010, p.178)

‘um presente qualquer, desde seu surgimento, já é seu próprio passado; pois como se tornaria passado se não tivesse se constituído ao mesmo tempo em que era presente”. (RICOEUR, 2007, p.442)

‘É preciso vencer a Alemanha, é questão de vida ou morte não apenas para a Rússia, o maior estado eslavo, que tem todas as possibilidades a frente, mas também para os estados europeus. Se a Alemanha vencer nada irá respirar, não haverá pelo que viver, não haverá outra luz adiante, a não ser a inexpressiva lâmpada noturna da cabeceira; restará apenas amaldiçoar o próprio aniversário e deitar-se na cova o mais rápido possível, sem sofrer ou respirar.” (ANDREIEV, 2014, p.587, tradução minha)

‘O público estava procurando por risadas no teatro como uma distração dos problemas da realidade bélica e imaginação de outros mundos remotos e melhores. Uma atmosfera nostálgica e ambientes exóticos substituíram cada vez mais a verve patriótica dos primeiros anos da guerra.” (KRIVANEC, 2017, p. 8, tradução minha).

‘pode-se sempre narrar de outro modo, suprimindo, deslocando as ênfases, reconfigurando diferentemente os protagonistas da ação assim como os contornos dela.” (RICOEUR, 2007, p.455).~

‘o fenômeno mnemônico consiste na presença no espírito de uma coisa ausente que, além disso, não mais é, porém foi. Quer seja simplesmente evocado como presença, e nessa condição como pahtos, quer seja ativamente buscado na operação de recordar que se conclui com a experiência do reconhecimento, a lembrança é representação, re(a)presentação.” (RICOEUR, 2007, p. 199)

‘Buscar, é esperar reencontrar. E reencontrar é reconhecer o que uma vez – anteriormente – se aprendeu”(RICEUR, 2007, p.443)

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Publicado

2020-07-16