Revista Cantareira

A Cantareira é um periódico semestral do corpo discente do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense e recebe trabalhos inéditos, teóricos ou empíricos, que contribuam para o desenvolvimento da pesquisa no campo historiográfico. Além das contribuições para o Dossiê Temático, a revista recebe artigos, resenhas e transcrições documentais em fluxo contínuo.

Notícias

 

Chamada para publicação de artigo em Dossiê Temático "Mundos do Trabalho" (n. 34, jan. 2020)

 

Revista Cantareira, edição nº 34 (jan. 2020)

Dossiê: Mundos do Trabalho

Organizadores: Clarisse Pereira (PPGH/UFF) e Heliene Nagasava (CPDOC/FGV)

Prazo de recepção dos trabalhos: 20 de julho de 2020

O campo de pesquisa dos Mundos do Trabalho sofreu, nos últimos anos, uma renovação. As mudanças sociais que desde pelo menos a última década do século XX afetam as relações de trabalho impactaram as pesquisas sobre esta temática e fez surgir novas discussões historiográficas. As discrepâncias salariais entre homens e mulheres, brancos e negros, o assédio no ambiente de trabalho, as alterações na legislação trabalhista e a perda de direitos, o processo de superexploração e o trabalho análogo ao de escravo, assim como o relacionamento institucional com órgãos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho, são evidências da relevância do tema e da necessidade de aprofundamento de seus estudos.

Se inicialmente a História Social do Trabalho estava centrada na compreensão da organização sindical, partidos políticos e relações entre os trabalhadores e os empregadores (especialmente nos trabalhadores homens, urbanos e fabris), hoje, ela ampliou o escopo das suas temáticas e temporalidades. O campo de estudo passou a se preocupar em entender a experiência dos trabalhadores na sua multiplicidade, considerando marcadores como gênero, etnicidade, raça, nacionalidade e regionalidade, geração, pertencimento religioso e orientação sexual. Neste sentido, as experiências dos trabalhadores são levadas em consideração pelos estudos e são conectadas a outros processos históricos. Questionar como o gênero afeta o exercício do trabalho ou como a regionalidade marca divisões e acesso a oportunidades, por exemplo, são caminhos fundamentais para a produção de uma historiografia que dê conta da diversidade dos Mundos do Trabalho. As novas pesquisas mostram que, para além de diferentes fontes, é essencial fazer diferentes perguntas aos documentos. Para olhar para pessoas e relações que não foram evidenciadas pela historiografia tradicional é preciso questionar e quebrar o olhar naturalizado. É necessário olhar para as diferentes estratégias de luta e sobrevivência construídas pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Diante da pluralidade do campo, o dossiê Mundos do Trabalho abre chamada para trabalhos que busquem discutir as diferentes experiências históricas do trabalho, trabalhadores e seus marcadores sociais, as formas de produção, seus espaços de sociabilidade e cultura, e sua organização de classe e participação política, assim como o seu relacionamento com as instituições, em períodos democráticos ou ditatoriais.

A Revista Cantareira – periódico do corpo discente da Universidade Federal Fluminense – convida, então, à chamada de artigos para a sua 34ª edição. Aos que tiverem interesse em colaborar, as normas e processo para publicação estão elencadas nas Diretrizes para os autores.

Os artigos para o dossiê, assim como as demais contribuições, devem ser enviados, exclusivamente, via sistema OJS.

 
Publicado: 2020-03-29 Mais...
 

Próximas edições: dossiês temáticos

 

A Comissão Editorial informa ao público e aos demais interessados que as próximas edições da Revista contarão com dois dossiês temáticos:

  • Fascismos e novas direitas (N. 33, jul.-dez. 2020. Recepção dos textos até 20 de fevereiro)
Organizadoras:Bárbara Aragon (PPGH/UFF) e Milene de Figueiredo (PPGH/PUC-RS)
  • Mundos do Trabalho (N. 34, jan.-jun. 2021. Recepção dos textos entre junho e julho de 2020)
Organizadoras: Clarisse Pereira (PPGH/UFF) e Heliene Nagasava (CPDOC/FGV)

Em breve publicaremos o cronograma para envio dos textos, como também as orientações gerais. Reforçamos que os trabalhos devem seguir as Diretrizes para os Autores, cf. informado em momento anterior.

Se já está a rascunhar um texto, deixe-o preparado!

Recordamos que o fluxo contínuo não tem prazo determinado para submissão.

Atenciosamente,

Comissão Editorial

 
Publicado: 2020-02-10 Mais...
 

Revista Cantareira | Faça sua inscrição em nosso site e não perca nenhuma novidade

 

Quer estar sempre atento às novidades da Cantareira? Não deixe, então, de fazer sua inscrição em nosso site.

Simples, rápido e fácil, o cadastro na plataforma do periódico permite que você seja sempre avisado quando das nossas publicações, chamadas e outras notícias. Nesse espaço, ademais, doutorandos e doutores podem assinalar suas linhas e objetos de investigação, com a devida marcação da categoria de “avaliador”. Assim, além de ampliar nossa base de dados de pareceristas, poderemos traçar uma radiografia dos pesquisadores mais afeitos ao fascículo.

Não deixe para mais tarde! O cadastro não leva mais do que três minutos.

Basta clicar em http://periodicos.uff.br/cantareira/user/register e preencher as informações. Lembre-se que, após a submissão da inscrição, as informações poderão ser editadas facilmente.

 
Publicado: 2020-01-02 Mais...
 
Outras notícias...

n. 32 (2020): Ideias e práticas econômicas no mundo atlântico: liberdade, circulação e contradições entre os séculos XVII e XIX

Ao cruzarem o Atlântico, as ideias econômicas formuladas no continente europeu encontraram diferentes formas de recepção nos séculos que constituem a transição da modernidade para a contemporaneidade, ou no que alguns teóricos chamam “longo século XVIII” (Maxwell, 1999; Arrighi, 1994). Essas ideias difusas, que posteriormente seriam aglutinadas em conceitos homogeneizantes, como “liberalismo” e “mercantilismo” (Pincus, 2012), fundamentaram as práticas econômicas e políticas do cenário colonial e da posterior formação dos estados independentes no continente americano.

Especialmente no que diz respeito às ideias de liberdade humana e comercial, emergiu um pronunciado contraste com o contexto social americano, obrigando a reflexões e práticas próprias, diferentes das europeias (Losurdo, 2006). Nesse sentido, vemos no norte homens como Thomas Jefferson, grandes porta-vozes da liberdade que possuíam escravos, trocando cartas sobre como resolver as contradições que se tornavam cada vez mais difíceis de ignorar (Morgan, 2000).

No mundo ibero-americano, um olhar mais atento demonstra a ineficácia do termo “mercantilismo” como descrição única da realidade. Nesse contexto, vemos o influente dom Luís da Cunha escrever ao marquês de Abrantes: “Beijo infinitamente as mãos de Vossa Excelência [...] a saber que eu suponho ser-nos conveniente e útil o livre comércio com os holandeses na costa da África…”. A carta, escrita em 1728, demonstra a interessante e tensa coexistência de práticas típicas do Antigo Regime com ideias de liberdade e problematiza a visão de um mundo ibero-americano atrasado, que seria alcançado por essas ideias somente a partir da Revolução Francesa (Furtado, 2014).

Como se sabe, aparentes contradições históricas são, na verdade, evidências de um conhecimento insuficiente, convidando, portanto, o olhar mais atento do historiador. No caso da circulação e da aplicação das ideias econômicas no mundo atlântico, o tema pode ser melhor explorado a partir de diversos aportes teórico-metodológicos. Sendo um tema por natureza desprovido de recorte geográfico, visto que se concentra na circulação de ideias e práticas, é fácil concluir que pode ser tratado a partir do campo da História Global, seja a partir da perspectiva das connected histories (Subrahmanyam, 1997; Conrad, 2016) ou da dos Sistemas-Mundo (Wallerstein, 1974), embora esta última seja menos útil para apreender a circulação de ideias do que a de práticas.

Para o estudo da circulação de ideias, nenhuma abordagem parece ser mais promissora que a da Escola de Cambridge, definida como “ideias em contexto” por seu maior representante, Quentin Skinner. Através da comparação e da exploração das contradições e das discussões de época, essa escola captou as diferentes acepções relacionadas a termos excessivamente repetidos nas discussões políticas, como “estado”. Como resultado, identificaram a completa ausência de modelos prontos a serem aplicados nos centros de tomada de decisão e que, portanto, pudessem ser repetidos pelos historiadores como descrição da realidade estudada (Skinner, 1969).

Assim, não há nada que faça crer que essa perspectiva não possa ser adotada para as ideias econômicas. A perspectiva, aliás, é muito parecida com a de Steven Pincus, – ainda que esse historiador não reivindique associação a essa abordagem – , ao propor uma revisão do “mercantilismo” explorando as discussões no interior dos centros de tomada de decisão.

São diversas as formas de tratamento que podem ser dadas a esse tema urgente, apontadas aqui apenas algumas poucas. Por sua relativa novidade, espera-se que o Dossiê seja marcado não pela predominância de uma delas, mas pela pluralidade de abordagens teóricas e metodológicas. O resultado certamente será o do conhecimento mais aprofundado da racionalidade econômica no mundo atlântico, escapando das definições homogeneizantes de “liberalismo”, mais aplicada para os espaços ao norte, “mercantilismo”, que descreveria melhor os espaços do sul.

Explorar os diversos caminhos da tradição liberal ao longo do tempo é um exercício de compreender o mundo em que vivemos. De forma paralela e oposta, é possível perceber ainda os diversos caminhos históricos de outra tradição, apologética do papel do Estado como mediador, igualmente importante para compreender a constituição do capitalismo tal como o conhecemos hoje. Convidamos os historiadores interessados a mergulhar nesse grande problema histórico.

Sumário

Apresentação

Ideias e práticas econômicas no mundo atlântico: liberdade, circulação e contradições entre os séculos XVII e XIX
Leornado Cruz, Matheus Basílio, Matheus Vieira
PDF

Dossiê Temático

Alice Maria de Jesus Teixeira
PDF
Valney Mascarenhas de Lima Filho
PDF
Diego Rodolfo Castro Gomes
PDF
Gilciano Menezes Costa
PDF
Débora Cristina dos Santos Ferreira
PDF

Entrevista

Entrevista com o Prof. Dr. José Subtil (Universidade Autónoma de Lisboa, Luís de Camões, Portugal)
Alan Dutra Cardoso
PDF

Artigos Livres

Flávio William Brito Matos
PDF
Felipe de Melo Alvarenga
PDF