Histórias-Marias: mulheres em situação de rua, políticas de cuidado, resistências
DOI:
https://doi.org/10.22409/cbrqhf36Palavras-chave:
mulheres em situação de rua, políticas de cuidado, resistência, narrativas, interseccionalidadeResumo
Este artigo apresenta uma pesquisa de mestrado realizada com mulheres adultas em situação de rua, a partir de histórias-guias vivenciadas, escutadas e lembradas no processo de cartografia-rio que a desenvolve. Narrativas direcionam o curso dessas águas, com acontecimentos que abrem visibilidade, desnaturalizam, tensionam e suscitam analisadores. Dimensões macro e micropolíticas são problematizadas, com olhar atento a resistências, a políticas de cuidado, ao SUS, à RAPS, ao SUAS, à pandemia de Covid-19, a questões de interseccionalidade – gênero, raça, classe, sexualidade – e ainda à lógica colonial-capitalista produtora de realidades, de misérias, de desigualdades, de violências. A cartografia como metodologia de pesquisa-intervenção desenha este estudo, que busca acompanhar a população em situação de rua em territórios da cidade de Santos/SP, com registros de experiências em Diário de Campo, com suas escritas intensivas, em cultivo processual de dados e análises. As potencialidades de reflorestamentos subjetivos, de transvalorações, de aquilombamentos na fabulação de cuidados nômades, são pensadas como bússolas Cruzeiro do Sul, contracoloniais. Uma perspectiva de criação de resistências, de reencantamento de discursos, práticas, saberes, de produção de conhecimentos implicados ética e esteticamente com a potência da vida, de rios, de mundos outros.
Downloads
Referências
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
AUGUSTO, Fernanda Carla de Moraes. Cartografias da resistência: mulheres em situação de rua, políticas de cuidado, pandemia. 2023. 127 f. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em Ciências da Saúde) – Instituto de Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2023. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/items/3eff4af4-200a-4754-98a9-c004021c2550. Acesso em: 10 set. 2023.
BAPTISTA, Luís Antônio. Impacto da (I) Mobilidade na Produção de Subjetividade. In: Conselho Federal de Psicologia (Org.). Psicologia e mobilidade: o espaço público como direito de todos. Brasília: CFP. 2010. v. 1, p. 213-220. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/seminario_mobilidade_27_08_10.pdf. Acesso em: 28 fev. 2024.
BAPTISTA, Luís Antônio. Simpósio 5 – a cidade como território de criação. Combates urbanos: a cidade como território de criação. In: GUARESCHI, Neuza (Org.). Estratégias de invenção do presente: a psicologia social no contemporâneo [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. p. 172-177. Disponível em: https://books.scielo.org/id/hwhw6/pdf/guareschi-9788599662908-14.pdf. Acesso em: 28 fev. 2024.
BRUM, Eliane. Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia Centro do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
COCCIA, Emanuele. A virada vegetal. São Paulo: n-1edições, 2018.
CUSICANQUI, Silvia Rivera. Ch’ixinakax utxiwa: uma reflexão sobre práticas e discursos descolonizadores. São Paulo: n-1 edições, 2021.
DELEUZE, Gilles. Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? São Paulo: Editora 34, 1992.
DESPRET, Vinciane. Pesquisar junto aos mortos. Campos: Revista de Antropologia, Curitiba, v. 22, n. 1, p. 289-307, jan-jun. 2021. https://doi.org/10.5380/cra.v22i1.80501
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. 2. ed. Rio de Janeiro: Malê, 2016.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.
FOUCAULT, Michael. O Anti-Édipo: uma introdução à vida não fascista. Cadernos de Subjetividade / Núcleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC/SP, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 197-200, 1993.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HARAWAY, Donna. Seguir com el problema. Generar parentesco en el Chthuluceno. Buenos Aires: Consonni, 2019.
hooks, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. 5. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014.
KASTRUP, Virgínia; BARROS, Laura Pozzana. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana (Org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa intervenção e produção de subjetividades. Porto Alegre: Sulina, 2015, p. 52-75.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LIBERMAN, Flávia; LIMA, Elizabeth Maria Freire de Araújo. Um corpo de cartógrafo. Interface: Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 19, n. 52, p. 183-193, 2015. https://doi.org/10.1590/1807-57622014.0284
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
MÁRQUEZ, Gabriel García. A solidão da América Latina. Revista IMEA-UNILA [online], v. 2, n. 1, p. 2-14, 2014. Disponível em: https://bit.ly/4dnRWFo. Acesso em: 12 fev. 2024.
MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. 2. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018.
MERHY, Emerson Elias et al. Redes vivas: multiplicidades girando as existências, sinais da rua. Implicações para a produção do cuidado e a produção do conhecimento em saúde. In: ______. (Org.) Avaliação compartilhada do cuidado em saúde: surpreendendo o instituído nas redes. Rio de Janeiro: Hexis, 2016, p. 31-42.
MUMBUCA, Ana. Ser Quilombo. In: SANTOS, Antônio Bispo dos et al. (Org). Quatro cantos. São Paulo: n-1 edições; Roça de Quilombo, 2022. v. 1, p. 81-92.
PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (Org.) Pistas do método da cartografia: pesquisa intervenção e produção de subjetividades. Porto Alegre: Sulina, 2015.
PELBART, Peter Pál. Poder sobre a vida, potência da vida. Revista Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 17, p. 33-43, 2003.
PELBART, Peter Pál. O Avesso do niilismo: cartografias do esgotamento. 2. ed. São Paulo: n-1 edições, 2016.
PRECIADO, Paul. Testo Junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. São Paulo: n-1 edições, 2018.
ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. São Paulo: Estação Liberdade, 1989.
ROLNIK, Suely. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. 2. ed. São Paulo: n-1 edições, 2019.
ROSA, João Guimarães. A terceira margem do rio. In: ______. Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2, p. 409-413.
RUFINO, Luiz. Cachaça e fumo na boca da mata. In: SANTOS, Antônio Bispo dos et al. Quatro Cantos. São Paulo: n-1 edições; Roça de Quilombo, 2022. v. 1.
SAFATLE, Vladimir. Para além da necropolítica. Pandemia Crítica. São Paulo: n-1 edições, 2020.
SANTOS, Kwame Yonatan Poli dos. Por um fio: uma escuta das diásporas pulsionais. 2022. Tese (Doutorado em Psicologia Clínica) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2022. Disponível em: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/27207. Acesso em: 28 fev. 2024.
SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o “encardido”, o “branco” e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. 2012. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
VASCONCELLOS, Jorge. Fabulações políticas de um povo preto porvir, um devir-quilombista de uma manifestação em tempos de pandemia. Pandemia Crítica. São Paulo: n-1 edições, 2020.
VIEIRA JÚNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019.
VILLADA, Camila Sosa. O parque das irmãs magníficas. São Paulo: Planeta, 2021.
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Fernanda Carla de Moraes AUGUSTO, Flavia LIBERMAN, Luciana Vieira CALIMAN

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Na medida do possível segundo a lei, a Fractal: Revista de Psicologia renunciou a todos os direitos autorais e direitos conexos às Listas de referência em artigos de pesquisa. Este trabalho é publicado em: Brasil.
To the extent possible under law, Fractal: Revista de Psicologia has waived all copyright and related or neighboring rights to Reference lists in research articles. This work is published from: Brasil.
