Materializações da ausência: uma análise morfológica, cognitiva e discursiva do prefixo sem
Palavras-chave:
prefixo sem-, morfologia construcional, linguística cognitiva, polissemia, formação de palavrasResumo
Este artigo investiga o comportamento formal, semântico e discursivo-pragmático da unidade sem- quando empregada como prefixo na formação de substantivos no português contemporâneo. Embora tradicionalmente descrita como preposição de valor privativo, a forma sem- revela produtividade morfológica significativa, especialmente em construções como sem-teto, sem vergonha e sem-terra. Ancorada na Morfologia Construcional e
na Linguística Cognitiva, a análise baseia-se em dados empíricos extraídos do corpus eletrônico News on the Web (NOW), com foco na transparência composicional, nos operadores cognitivos envolvidos e nos efeitos valorativos veiculados pelas formações. Os resultados contribuem para a reavaliação dos limites entre prefixo e preposição, evidenciando a centralidade do uso e das práticas discursivas na organização do léxico.
Downloads
Referências
AZEVEDO, José Carlos. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2010.
BARBOSA, Jerónimo Soares. Gramática filosófica da língua portuguesa. 8. ed. Edição Anastática, Comentário e Notas Críticas de Amadeu Torres, 2005 [1822].
BASÍLIO, Margarida. Estruturas lexicais do português: uma abordagem gerativa. Petrópolis: Vozes, 1980.
BASÍLIO, Margarida. Teoria lexical. São Paulo: Ática,1987.
BASÍLIO, Margarida. Polissemia sistemática em substantivos deverbais. Ilha do Desterro, v. 47, n. 1, p. 23-38, 2004.
BASÍLIO, Margarida. Formação de palavras e classes de palavras no português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2019.
BAUER, Laurie. Introducing linguistic morphology. 2. ed. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2003.
BAUER, Laurie. Productivity: theories and methods. In: ŠTEKAUER, Pavol; LIEBER, Rochelle (org.). Handbook of word-formation. Dordrecht: Springer, 2005. p. 315-334.
BEAUGRANDE, Robert de; DRESSLER, Wolfgang. Introduction to text linguistics. London: Longman, 1974.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
BECKER, Howard S. Outsiders: studies in the sociology of deviance. New York: Free Press, 1963.
BOOIJ, Geert. Compounding and derivation: evidence for construction Morphology. In: DRESSLER, Wolfgang et al. (ed.). Morphology and its demarcations. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 2005. p. 109-131.
BOOIJ, Geert. Construction Morphology and the Lexicon. In: MONTERMINI, Fabio; BOYÉ, Gilles; HATHOUT, Nabil (ed.). Selected proceedings of the 5th Décembrettes: morphology in Toulouse. Somerville: Cascadilla Press, 2007. p. 34-44.
BOOIJ, Geert. Construction Morphology. Oxford: Oxford University Press, 2010.
BUTLER, Judith. Discurso de ódio: uma política do performativo. São Paulo: Editora da Unesp, 2021.
BYBEE, Joan. Morphology: a study of the relation between meaning and form. Amsterdam: John Benjamins, 1985.
BYBEE, Joan. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Vozes, 1970.
COSTA, Priscila Lambach Ferreira da. Ser diferente: dificuldades e superação de pessoas canhotas em diferentes gerações. 2014. Dissertação (Mestrado em Educação: Psicologia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014.
COSTA, Priscila Lambach Ferreira da. Canhotos: representações sociais de jovens sobre uma diferença invisível. 2023. 197 f. Tese (Doutorado em Psicologia da Educação) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2023.
COUTO, Hildo Honorio; COUTO, Elza Kioko N. N. O prefixo sem no português brasileiro. Lusorama, v. 101-102, p. 119-132, 2015.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013.
DAVIES, Mark; FERREIRA, Michael. Corpus do Português: Genre/Historical Corpus. Provo: Brigham Young University, 2006. Disponível em: https://www.corpusdoportugues.org/hist-gen/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em 20 de junho de 2025.
DAVIES, Mark. Corpus do Português: News on the Web, 2016. Disponível em: https://www. corpusdoportugues.org/now/. Acesso em 20 de junho de 2025.
DI SCIULLO, Anna Maria; WILLIAMS, Edwin. On the definition of word. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.
DUARTE, Paulo Mosânio Teixeira. A formação de palavras em português com prefixos e prefixoides latinos e vernáculos. Revista Philologus, ano 18, n. 54. Rio de Janeiro: CiFEFiL, set./dez.2012, p. 1-14.
GANANÇA, João Henrique Lara. Um estudo da prefixação em unidades neológicas coletadas em blogs da internet. 2017. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.
GANDULFO, Roberto. Megamanual de morfologia do português. Santa Maria: Clube dos Amores, 2021.
GOFFMAN, Erving. Stigma: notes on the management of spoiled identity. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1963.
GOLDBERG, Adele E. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: University of Chicago Press, 1995.
GOLDBERG, Adele E. Constructions at work: the nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press, 2006.
JACKENDOFF, Ray; AUDRING, Jenny. The texture of the lexicon: relational morphology and the parallel architecture. Oxford: Oxford University Press, 2019.
KEHDI, Valter. Formação de palavras em português. São Paulo: Ática. 2007a.
KEHDI, Valter. Morfemas do Português. São Paulo: Ática. 2007b.
LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2002 [1980].
LANGACKER, Ronald W. Foundations of cognitive grammar: Vol. 1. Conceptual Structure. Stanford: Stanford University Press, 1987.
LANGACKER, Ronald W. Concept, image, and symbol: the cognitive basis of grammar. Berlin: Mouton de Gruyter, 1991.
LANGACKER, Ronald W. Cognitive grammar: a basic introduction. New York: Oxford University Press, 2008.
MONTEIRO, José Lemos. Morfologia portuguesa. Campinas: Pontes, 2002.
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (MST). Nossa história. [S. l.]. Disponível em: https://mst.org.br/nossa-historia/inicio/. Acesso em: 23 maio 2026.
NUNES, José Joaquim. Compêndio de gramática histórica portuguesa (fonética e morfologia). 9 ed. Lisboa: Clássica Editora, 1989 [1919].
NUNES, Susana da Costa. Prefixação de origem preposicional na língua portuguesa. Coimbra: Universidade de Coimbra, dissertação de doutoramento em linguística Portuguesa, 2011.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo. Polissemia do prefixo des- em substantivos de ação com base em -ção e -mento. Confluência, v. 61, p. 335-371, 2021.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo. Análise construcional baseada no uso do sufixo -aço no português do Brasil. Revista Virtual de Estudos da Linguagem, v. 20, p. 58-93, 2022.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo. Morfologia e lexicologia/lexicografia. In: GONÇALVES, Carlos Alexandre Victorio; SILVA, João Carlos Tavares da. (org.). Modelos de análise morfológica e questões de interface. Campinas: Pontes Editores, 2023. p. 183-196.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo. Morfologia construcional e sua aplicação para o entendimento da vida social. In: SCHELEE, Magda Bahia; COSTA, Thaís de Araújo; DUTRA, Vânia Lúcia Rodrigues. Língua em (Dis)curso: pesquisa e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2024. p. 39-56.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo. O estatuto da prefixação no português: uma breve revisão crítica. In: PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo; CHAVES, Charleston de Carvalho. (org.). Investigações em língua portuguesa: descrição, discurso e ensino. São Carlos: Pedro & João Editores, 2025. p. 31-48.
PEREIRA, Carlos Gustavo Camillo; GONÇALVES, Carlos Alexandre Victorio. Um sobrevoo pelas formações sobre-x no português do Brasil: aspectos formais e semântico-pragmáticos. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 20, p. e020006, 2026.
POGGIO, Rosauta Maria Galvão Fagundes. Processos de gramaticalização de preposições do latim ao português. Salvador: Editora da UFBA, 2002.
RIO-TORTO, Graça. Prefixação e composição: fronteiras de um contínuo. Verba, v. 41, p. 103-121, 2014.
RIO-TORTO, Graça. Prefixação. In: RIO-TORTO, Graça et al. Gramática Derivacional do Português. Coimbra: Coimbra University Press, 2016. p. 411-458.
RIO-TORTO, Graça; RIBEIRO, Silvia. Portuguese Compounds. Probus, v. 24, p.119-145. 2012.
RIO-TORTO, Graça; RODRIGUES. Alexandra Soares. Formação dos nomes. In: Gramática derivacional do português. Coimbra: Coimbra University Press, 2016. p. 135-240.
ROCHA, Luiz Carlos de Assis. Estruturas morfológicas do português. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1988. (Coleção Aprender).
ROCHA LIMA, Carlos Henrique. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2017 [1972].
ROMANELI, Rubens. Os prefixos latinos. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1964.
SCALISE, Sergio. Generative morphology. Dordrecht: Foris, 1984.
SANTANA, Davi de Oliveira. Prefixos derivados de preposições em textos de língua portuguesa dos séculos XVII e XVIII. 2006. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2006.
SANDMANN, Antônio José. Formação de palavras no português brasileiro contemporâneo. Curitiba: Ícone, 1985.
SILVEIRA BUENO, Francisco. Gramática normativa da língua portuguesa: curso superior com suplemento. Rio de Janeiro: Editora Saraiva, 1968.
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010 [1988].
TRAUGOTT, Elizabeth Closs; TROUSDALE, Graeme. Constructionalization and constructional changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.
VASCONCELLOZ, Antonio Garcia Ribeiro de. Gramática histórica da língua portuguêsa (VI e VII Classes do Curso dos Lyceus). Paris; Lisboa: Aillaud/ Alves; Rio de Janeiro; São Paulo; Belo Horizonte: Francisco Alves, 1990 [1900].
VOLP. Pequeno vocabulário ortográfico da língua portuguesa. Brasil: Academia Brasileira de Letras, 1943.
VOLP. Pequeno vocabulário ortográfico da língua portuguesa. Brasil: Academia Brasileira de Letras, 1981.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Gragoatá

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
AUTORIZAÇÃO
Autores que publicam em Gragoatá concordam com os seguintes termos:
Os autores mantêm os direitos e cedem à revista o direito à primeira publicação, simultaneamente submetido a uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite o compartilhamento por terceiros com a devida menção ao autor e à primeira publicação pela Gragoatá.
Os autores podem entrar em acordos contratuais adicionais e separados para a distribuição não exclusiva da versão publicada da obra (por exemplo, postá-la em um repositório institucional ou publicá-la em um livro), com o reconhecimento de sua publicação inicial na Gragoatá.
A Gragoatá utiliza uma Licença Creative Commons - Atribuição CC BY 4.0 Internacional.







