Dossiê set-dez 2022: chamada prorrogada até 23 de maio

2019-12-06

CHAMADA DOSSIÊ 3ª EDIÇÃO DE 2022 (Setembro-Dezembro)

Dossiê: Comunicação, Mídia e Interseccionalidade

A interseccionalidade, enquanto conceito, foi cunhada e difundida a partir da obra de Kimberle Crenshaw (1989, 1991). No entanto, enquanto perspectiva nasce no âmbito das discussões feministas e pós-coloniais e por isso já estava presente em outras propostas, algumas anteriores e iniciadas em outros contextos geográficos, como é o caso de Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Maria Lugones, Avtar Brah, entre outras. Isto porque a interseccionalidade não se resume a um conceito, é antes uma abordagem, uma forma de olhar e compreender o mundo e uma perspectiva teórica-epistemológica e metodológica sobre as pesquisas, que pode ser aplicada a diversas áreas disciplinares.
A perspetiva interseccional permite, assim, visibilizar experiências que estavam silenciadas (Gopaldas, 2013), conhecer os efeitos dos múltiplos pertencimentos identitários (e.g. gênero, sexualidade, raça, etnia, classe, diversidade funcional, idade, etc) e as estratégias de empoderamento de identidades marginalizadas, bem como desconstruir o oposicionismo binário e o universalismo (Davis, 2014) que marcavam muitas das investigações feministas.
No âmbito da academia esteve durante muito tempo ausente, mas recentemente começa a apresentar-se como uma espécie de buzzword (Davis, 2014), o que requer recentrá-la nas suas origens e na relevância que assume na atualidade (Collins & Bilge, 2016). Não é possível uma abordagem interseccional despolitizada (Nash, 2008) e isso requer pensá-la a partir de uma consciência dos lugares de opressão e privilégio (Jaggar, 2015) e da ocupação dos lugares de fala (Ribeiro, 2017). Num mundo globalizado, marcado por múltiplas interações de níveis diversos, utilizar esta lente implica também não ignorar a história e o contexto.
No campo da comunicação e da mídia, a abordagem interseccional começa a assumir relevância, nomeadamente pelo crescimento dos estudos com um enfoque nas desigualdades sociais, que procuram trazer para a discussão questões relacionadas a poder, representação e identidades (Cerqueira & Magalhães, 2017). Contudo, ainda se trata de uma abordagem que precisa e merece ser ampliada.
Nesse sentido a revista Mídia e Cotidiano convida a publicação de pesquisas e trabalhos que se organizem a partir da interseccionalidade não apenas como um conceito, mas enquanto uma perspectiva e/ou proposta metodológica, para pensar as pesquisas em Comunicação e Mídia, enfocando eixos temáticos como:

  • Comunicação e Educação
  • Comunicação, Mídia e Identidades Sociais
  • Comunicação e Trabalho
  • Desigualdades sociais e estratégias de empoderamento
  • Discursos e Resistências
  • Neoliberalismo e apropriações dos discursos de Igualdade e Diversidade
  • Novos Feminismos e formas de ativismo
  • Tecnologias da Comunicação e Informação

Editoras Convidadas: Carla Cerqueira (Universidade Lusófona, CICANT), Cláudia Lago (ECA/USP) e Cláudia Nonato (ECA/USP)

Prazo para as submissões: 23 de maio de 2022 (nova data!)

Data da Publicação: Setembro de 2022

Referências:
Cerqueira, Carla & Magalhães, Sara I. (2017). Ensaio sobre cegueiras: cruzamentos intersecionais e (in)visibilidades nos media, ex aequo nº35, 9-20. DOI: https://doi.org/10.22355/exaequo.2017.35.01.

Crenshaw, Kimberle (1989). Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics, University of Chicago Legal Forum: 1(8).

Crenshaw, Kimberlé (1991). Mapping the Margins: Intersectionality, Identity, Politics and Violence against Women of Color. Stanford Law Review 43 (6):1241-1299. Doi: https:// doi.org/10.2307/1229039

Collins, Patricia Hill & Bilge, Sirma (2016). Intersectionality. Cambridge: Polity Press.

Davis, Kathy (2014). Intersectionality as Critical Methodology. In Nina Lykke (eds.). Writing Academic Texts Differently: Intersectional Feminist Methodologies and the Playful Art of Writing (pp. 17-29). Londres: Routledge.

Gopaldas, Ahir (2013). Intersectionality 101. Journal of Public Policy & Marketing 32:90-94. Doi: https://doi.org/10.1509/jppm.12.044

Jaggar, Alison M. (2014). Just Methods: An Interdisciplinary Feminist Reader (2nd ed.). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781315636344

Nash, Jennifer (2008). Rethinking intersectionality. Feminist Review 89(1): 1-15. Doi: 10.1057/fr.2008.4

Ribeiro, Djamila (2017). O que é lugar de fala? (Feminismos plurais). Belo Horizonte: Letramento.