Chamada aberta Edição Maio-agosto 2021

2019-12-06

CHAMADA DOSSIÊ 2ª EDIÇÃO 

Dossiê: A imagem e seus “diálogos”: linguagens, deslizamentos, insurgências

De saída, uma questão se impõe: que possibilidades emergem quando nos instalamos na fronteira, quando escolhemos a dobra ou o limiar como morada? Desde os anos 80 pelo menos, é sabido que vivemos sob a égide da mestiçagem, sob o signo do hibridismo e do contrabando. Raymond Bellour o definiu muito bem com sua poética das passagens e, mais recentemente, Jacques Rancière (2012) tem falado em uma estética da indistinção, no “caos das materialidades” - um regime sensível no qual a mistura e o entrelaçamento entre as artes atingiu tal estado que se tornou praticamente irreversível.

Hoje, num momento marcado como nunca antes pela dissolução das fronteiras, por intensos deslocamentos e migrações entre os campos do cinema e do audiovisual, da fotografia e das artes plásticas, a imagem se vê no centro de inúmeros processos de desestabilização, que trazem implicações múltiplas, a um só tempo, estéticas, éticas e políticas. São trilhas várias que se entrelaçam nas relações midiáticas, cotidianamente, redesenhando as sensibilidades, as estratégias de resistência, as interações sociais, enfim, os modos de ser e de estar-no-mundo.

Reconhecendo a potência deste cenário, a Revista Mídia e Cotidiano convida pesquisadoras e pesquisadores que tenham interesse em refletir sobre estes “diálogos” realizados com e a partir da imagem, tomando-os no campo expandido (Rosalind Krauss), isto é, a partir de quadro amplo de relações históricas, políticas, estéticas e sociais. Interessa ao dossiê reunir textos que, reconhecendo o caráter material da imagem, observam-na, manipulam-na, discutem-na em suas multiplicidades de sentidos, gestos, buscas e interlocuções.

Editores: Denise Tavares (UFF); Osmar Gonçalves (UFC); Bruno Leite (UFRS).

Prazo para submissão: 22 de fevereiro de 2021.

Data da publicação: maio de 2021

 

CHAMADA DOSSIÊ 3ª EDIÇÃO

Dossiê: A informação e o mal: disputas éticas, políticas e epistemológicas da Comunicação em tempos extremos

O mal da comunicação é a desinformação. Pode-se contestar a pretensão universal dessa afirmação com o argumento de que em alguns casos, como numa guerra, desinformar o inimigo é benéfico, e isso é inquestionável do ponto de vista estratégico. Porém, para além da questão estratégica, mas sem desconsiderá-la, a questão ética que se coloca é saber em que quadrante cada voz se situa em meio a complexas disputas de narrativas que não envolvem (diretamente) exércitos nacionais, mas projetos econômicos, culturais e sociais imbricados, com todas as suas nuances políticas e epistemológicas.

Estamos vivendo sérias disputas desse tipo hoje. Por essa razão, ao afirmarmos que o mal da comunicação é a desinformação, o termo designa aqui o amplo conjunto de práticas comunicacionais que propagam ilusões funcionais a grupos de interesse – e altamente disfuncionais à maioria das pessoas –, mediante o recurso à calúnia, à difamação, à distorção dos fatos ou à mentira pura e simples. Por um lado, não há nada de novo nisso. Por outro, há muito. Nenhum tirano até o século XX dispôs de radiodifusão e nenhum embusteiro até o século XXI dispôs dos recursos atuais de vigilância e mineração de dados de populações inteiras, permitindo a propaganda massiva e direcional, ultracapilarizada, na forma de microtargeting.

É esse contexto extremo que mobiliza este dossiê, esse ecossistema informacional inédito e imprevisto, cuja ubiquidade ocupa a maior parte do cotidiano de cada vez mais gente, no qual viralizam novas mutações – fake newsdeep fakes, pós verdade – de velhos seres do mal da comunicação. Assim, a Revista Mídia e Cotidiano convida colegas da área (ou em diálogo com a Comunicação), que investigam temas como anticiência, negacionismos, agnotologia, teorias conspiratórias e afins, relacionados ao escopo da nossa proposta, a que nos enviem suas contribuições.

Editores: Marco Schneider (UFF e Ibict); Marco Antônio Bonetti (UFJF); Rogério Christofoletti (UFSC).

Prazo para submissão: 14 de junho de 2021.

Data da publicação: setembro de 2021.