“Tão artificial quanto o lanche”: intensidades afetivas e reancoragem do consumo natalino na publicidade algorítmica da McDonald’s

Autores

  • Leonardo Mozdzenski Universidade Federal de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.22409/rzjvyp29

Palavras-chave:

Publicidade, Consumo, Afeto, Reterritorialização, Inteligência Artificial

Resumo

Este artigo propõe analisar a campanha natalina It’s the most terrible time of the year (McDonald’s Holanda, 2025), divulgada como comercial integralmente gerado por IA generativa e retirada do ar após controvérsia. Com base na noção de afeto em Deleuze e Guattari (2011), discute-se a publicidade algorítmica enquanto dispositivo de intensidades que modela vínculos e subjetividades de consumo. O método combina decupagem do audiovisual e análise qualitativa crítica de comentários no Instagram. Os achados indicam predominância de afetos tristes ligados à estranheza, à artificialidade e a disputas sobre legitimidade, trabalho e valor, reativando frustrações prévias com a marca. Por fim, argumenta-se que a suspensão do filme opera como reterritorialização e contenção dessas intensidades no ritual do Natal.

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Biografia do Autor

  • Leonardo Mozdzenski, Universidade Federal de Pernambuco

    Doutor em Letras/Linguística e doutor em Comunicação, com pós-doutorado em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor do curso de especialização EAD em Comunicação, Diversidade e Inclusão nas Organizações do Instituto de Educação Continuada da PUC Minas. Professor do Programa de Pós-Graduação em Administração Pública, Controle Externo e Sociedade da Escola de Contas Públicas Prof. Barreto Guimarães (TCE-PE). 

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Publicado

2026-04-30

Edição

Seção

Artigos Seção Temática

Como Citar

“Tão artificial quanto o lanche”: intensidades afetivas e reancoragem do consumo natalino na publicidade algorítmica da McDonald’s. (2026). Mídia E Cotidiano, 20(2), 68-92. https://doi.org/10.22409/rzjvyp29