Tortura e imagens na Ditadura Militar: o caso dos relatórios de censura a José Mojica Marins (1964-1972)
DOI:
https://doi.org/10.22409/cnb2e949Palavras-chave:
Ditadura Militar, Censura, Tortura, José Mojica Marins, Cinema de horrorResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre as imagens de violência e tortura presentes nos filmes de José Mojica Marins produzidos nos anos 1960 e a atuação do Serviço de Censura de Diversões Públicas durante a ditadura militar brasileira, a partir dos relatórios de censura produzidos pelo órgão. Considerado o principal expoente do cinema de horror nacional, Mojica teve seus filmes perseguidos por um órgão subordinado a um regime que se sustentava pela violência, sob a justificativa de proteção à moral e aos bons costumes. A investigação parte de três questões centrais: o silenciamento de sujeitos não explicitamente opositores ao regime; a forma como os censores lidavam individualmente com imagens de tortura em um contexto autoritário; e o papel da censura na ocultação da violência estatal. Com base no referencial teórico-metodológico de Siegfried Kracauer, o estudo compreende o cinema como documento social capaz de revelar medos e contradições de seu tempo, demonstrando como os relatórios censórios expressam repulsa e horror diante de imagens que, ao mesmo tempo, espelhavam a violência silenciada pelo governo.
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