Próximos dossiês

2026-09-10

Artigos livres, Resenhas e Entrevistas

A Revista Pragmatizes recebe artigos livres, resenhas e entrevistas em fluxo contínuo.

Próximos dossiês:

Dossiê: Cultura e Economia Noturnas: Dinâmicas Urbanas, Sociais, Identitárias e Territoriais

Organizadores: Élvis Christian Madureira Ramos (UFMS), Wellington dos Santos Figueiredo (Centro Paula Souza/SP). Eli Fernando Tavano Toledo (IFSP).

Ementa:
Este dossiê propõe reunir pesquisas e análises sobre as múltiplas interfaces entre cultura e economia noturnas em ambientes urbanos. O foco concentra-se nas dinâmicas, agentes e expressões que ocupam as cidades à noite, entendendo-a como um espaço cronotópico distinto, marcado por relações próprias de trabalho, lazer e circuitos econômicos, além de diferentes agenciamentos, cenas e territorialidades.
O dossiê busca estimular o diálogo interdisciplinar e promover reflexões críticas sobre a noite como espaço cultural de criatividade, experimentação, sociabilidade, pluralidade e vitalidade econômica. São bem-vindas contribuições teóricas, empíricas, metodológicas e aplicadas com o intuito de ampliar o entendimento sobre as culturas e economias noturnas contemporâneas e seus significados para a vida urbana.
Por se tratar de um tema ainda pouco explorado nas ciências sociais e na economia, o dossiê busca uma abordagem ampla, que pode contemplar os seguintes eixos:
* Produção cultural e consumo simbólico na noite das cidades;
* Impactos socioculturais, ambientais e econômicos da expansão da vida noturna, com ênfase em saúde, mobilidade, identidade, territorialidade urbana e sustentabilidade;
* Economia noturna como vetor de desenvolvimento, inovação e geração de renda;
* Gestão de territórios noturnos: regulação, segurança, inclusão e diversidade;
* Usos dos espaços públicos durante a noite, considerando práticas sociais, apropriações, impactos ambientais e transformações nos sentidos urbanos;
* Estudos comparativos entre cidades, regiões e países, identificando particularidades, tendências e contradições;
* Culturas identitárias e êmicas (gêneros, grupos etários, étnicos, territoriais etc.) que produzem seus próprios espaços de cultura na noite: práticas, símbolos, objetos e linguagens;
* Trabalhadores da noite em suas dimensões culturais, sociais e laborais;
* Diferenças de escalas e centralidades noturnas, contemplando cidades pequenas, médias, metropolitanas e processos de periferização do lazer e da economia noturna.

Cronograma: Submissão até 31/11/2026. Publicação em março de 2027.

 

Dossiê: Mercados culturais e trabalho: desafios, práticas e subjetividades
Organizadoras: Marina Bay Frydberg (Universidade Federal Fluminense) e Victoria Irisarri (Universidad de Buenos Aires)

Ementa:
As relações entre mercados culturais e trabalho vêm passando por transformações significativas nas últimas décadas. A divisão moderna entre trabalho e lazer torna-se mais porosa, ao mesmo tempo em que a esfera do trabalho se expande e se articula a formas de vida marcadas pela lógica dos projetos e da flexibilidade. Nesse contexto, as próprias noções de mercado e trabalho adquirem novos sentidos, que ultrapassam os debates clássicos em torno da indústria cultural e convidam a repensar as formas contemporâneas de produção, circulação e consumo de bens culturais.
Ao lado dessas transformações, também se reconfiguram as relações de trabalho no campo da cultura. Discursos associados ao empreendedorismo convivem com novas modalidades de contratação, formas de trabalho intermitente e informal e a crescente centralidade das redes profissionais. Essas transformações não dizem respeito apenas às condições objetivas de trabalho, mas também incidem sobre as subjetividades, os projetos de vida e as formas pelas quais as pessoas em torno da cultura imaginam, constroem e legitimam suas trajetórias profissionais.
Partindo deste contexto contemporâneo, este dossiê propõe discutir as relações entre mercados culturais e trabalho sem partir da necessidade de estabelecer definições rígidas para esses termos. Entendemos que mercados e formas de trabalho não constituem estruturas dadas, mas realizações práticas, sustentadas por mediações, dispositivos e operações cotidianas de valoração, inclusive as maneiras pelas quais os próprios agentes definem, em situação, o que conta como trabalho, como mercado ou como carreira. Interessa-nos, sobretudo, compreender os sentidos que essas categorias assumem em diferentes contextos e situações concretas, privilegiando pesquisas capazes de acompanhar os processos cotidianos por meio dos quais mercados, práticas de trabalho, carreiras e formas de subjetivação são produzidos.
Buscamos trabalhos que explorem as experiências e práticas de diferentes agentes do campo cultural, atentando para a vida cotidiana, as subjetividades, as relações sociais e os processos de construção e transformação dos mercados culturais e das formas de trabalho. São particularmente bem-vindas contribuições que problematizem, entre outros, os seguintes eixos:
    • Marcadores sociais da diferença, como gênero, raça, classe, sexualidade e outros, e seus efeitos sobre mercados, oportunidades e trajetórias profissionais;
    • Formas coletivas de produção artística e cultural, incluindo práticas colaborativas, associativas e comunitárias;
    • Novas práticas de trabalho na cultura e suas organizações laborais, considerando formas emergentes de contratação, informalidade, precarização, autonomia e empreendedorismo;
    • A dimensão do projeto, do sonho e da realização pessoal na construção de carreiras e trajetórias profissionais no campo cultural;
    • Relações entre trabalhadores, produtores culturais e poder público, incluindo políticas culturais, formas de financiamento e regulação;
    • Usos das mídias sociais e das plataformas digitais na produção, circulação, promoção e comercialização de bens e práticas culturais;
    • Processos de digitalização e suas implicações para o trabalho cultural, incluindo a datificação, as métricas e os algoritmos como instâncias de valoração, os usos de inteligência artificial e as transformações nas formas de criação, intermediação e remuneração;
    • Outros temas que contribuam para compreender as transformações contemporâneas nas relações entre cultura, mercados e trabalho.
O dossiê pretende reunir pesquisas que, a partir de diferentes contextos empíricos e perspectivas teóricas, contribuam para compreender como mercados culturais e relações de trabalho são constituídos, negociados e vivenciados no cotidiano. Mais do que identificar uma configuração única ou definitiva desses fenômenos, interessa-nos acompanhar sua diversidade, suas ambiguidades e suas disputas — incluindo as operações críticas pelas quais os próprios agentes do campo cultural julgam, justificam e questionam suas condições de atividade —, evidenciando os modos pelos quais diferentes sujeitos produzem e atribuem sentidos ao trabalho e à atividade cultural, assim como os apegos, paixões e vínculos que sustentam a permanência nessas atividades, para além das leituras que os reduzem a mistificação ou autoexploração.
Convidamos, portanto, pesquisadoras e pesquisadores a submeterem artigos que contribuam para ampliar o debate sobre as relações entre cultura, mercados, trabalho e subjetividades.

Cronograma: Submissão até 28/02/2027. Publicação em setembro de 2027.

Informações sobre submissão de artigos: https://periodicos.uff.br/pragmatizes/about/submissions.