Carnaval, uma festa democrática? Discussão sobre segregação social e o direito à cidade a partir do universo carnavalesco do Rio de Janeiro.

Thais Cunegatto

Resumo


O objetivo deste artigo é discutir o carnaval carioca enquanto uma festa urbana nacional, um patrimônio imaterial e uma política pública que aciona identidades sociais e se contrói e reconstrói da medida em que o Brasil e a  cidade do Rio de Janeiro se transformam.

O texto inicia sua  discussão partindo da premissa que ritual carnavalesco das escolas de samba se constitui em um universo urbano que engendra relações entre o poder público  e as camadas populares para à posteriori discutir os processos de segregação urbana ligados à construção de uma identidade nacional.

Por fim, o artigo busca refletir sobre as múltiplas dimensões de poder dadas num processo de oficialização e patrimonialização de uma festa, bem como, os intensos processos de negociação e agência intrínsecos das relações entre poder público e as camadas populares que vivenciam cotidianamente o carnaval há gerações.


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DOI: https://doi.org/10.22409/pragmatizes2016.11.a10437

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