Couro ruim é que chama ferrão de ponta: a respeito da violência em Grande sertão: veredas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v10i18.38867

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, Grande sertão, veredas, poéticas do mal, medo, violência

Resumo

O presente artigo propõe uma leitura de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, sob a perspectiva das “poéticas do mal”. Partimos de observações e descrições feitas em um artigo anterior, em que demonstrávamos ser o medo um elemento temático e estrutural fundamental no romance rosiano. Dando continuidade a essa abordagem, nossa proposta é considerar especificamente a violência, tanto em sua dimensão temática quanto em sua função formal na narrativa. A hipótese a ser desenvolvida é que a violência também se configura como um elemento essencial da história de Riobaldo, não possuindo em si mesma um valor positivo ou negativo, uma vez que surge ora como um produto dos receios experimentados pelo protagonista, ora como um meio de conciliar e superar os seus temores.

Biografia do Autor

João Pedro Bellas, Universidade Federal Fluminense

João Pedro Bellas é doutorando em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Possui mestrado em Literatura Brasileira e Teoria da Literatura, e graduação em Filosofia pela mesma universidade. É membro do grupo de pesquisa Estudos do Gótico, coordenado pelo prof. dr. Júlio França. Atualmente, desenvolve, com apoio da CAPES e sob orientação do prof. dr. André Cardoso, uma pesquisa sobre
a crise do sublime nos séculos XX e XXI.

Júlio França, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Júlio França é professor de Teoria da Literatura do Instituto de Letras e do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (2006), com pós-doutorado na Brown University (2014-2015). Bolsista do programa Prociência (UERJ/FAPERJ), seus últimos livros publicados são Poéticas do Mal: a literatura do medo no Brasil (2017), Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas (2017), e As Artes do Mal: Textos Seminais (2018). É coordenador do grupo de pesquisa Estudos do Gótico (CNPq), vice coordenador do GT Vertentes do Insólito ficcional (ANPOLL) e editor do periódico acadêmico Abusões.

Referências

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Publicado

2020-03-01

Edição

Seção

Dossiê 18: Representações da Violência na Literatura