Corpo e mente sob violências: da dor ao silêncio, em Vidas secas

Autores

  • Paulo Cesar Silva de Oliveira UERJ.
  • Isabela Cristina Rodrigues Azevedo

DOI:

https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v10i18.38897

Palavras-chave:

Violência na literatura, poder simbólico, trauma

Resumo

O artigo analisa distintas modalidades de violência a que são submetidos Fabiano, sinha Vitória e seus dois filhos meninos em Vidas secas, de Graciliano Ramos. Aponta-se a pobreza material, de vocabulário, não como resultado da animalização destes seres, mas como consequência das experiências traumáticas impostas. A partir das reflexões de Maria Cecília S. Minayo (2007), Michel Foucault (1987), Pierre Bourdieu (2012), Emmanuel Levinas (2016), Gayatri Spivak (2010), Walter Benjamin (1994) e Márcio Seligmann-Silva (2000), dentre outros, discutiremos o problema da violência no romance de Ramos, em alguns de seus múltiplos aspectos.

Biografia do Autor

Paulo Cesar Silva de Oliveira, UERJ.

Doutor em Letras pela UFRJ e Pós-doutor em Estudos de Literatura pela UFF. Professor Adjunto de Teoria Literária (Departamento de Letras) na FFP/UERJ. Bolsista Procientista da FAPERJ/UERJ. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Vice-líder dos Grupos de Pesquisa CNPq "Nação e Narração" e "Poéticas da Diversidade". Professor Permanente do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística da FFP/UERJ (PPLIN).

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Publicado

2020-03-01

Edição

Seção

Dossiê 18: Representações da Violência na Literatura