Violência e crime em Luiz Alfredo Garcia-Roza: um misto de policial e psicanálise

Autores

  • FERNANDA MARA ALMEIDA AZEVEDO UNIVERSIDADE DE VASSOURAS - CAMPUS MARICÁ

DOI:

https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v10i18.40251

Palavras-chave:

Violência, crime, medo, subjetividades criminais

Resumo

Resumo

No presente artigo, pretende-se mostrar que o Romance policial contemporâneo na produção ficcional do brasileiro Luiz Alfredo Garcia-Roza (1936-) utiliza as técnicas da literatura policial para indicar os sintomas do mal-estar cultural que atinge o sujeito ficcional, transformando-o em verdadeiras subjetividades criminais – metáfora do indivíduo de hoje. Em suas narrativas – situadas nos anos de 1990 até os dias atuais – o autor, num misto de literatura e psicanálise, considera que, em meio a uma sociedade culturalmente ‘esquizofrênica’, temáticas ligadas a crimes, mortes e outros tipos de violência, predominantes na América Latina no século XXI, encontram solo fértil em narrativas policiais da atualidade. Atentando para o cenário caótico e desajustado onde as tramas de Garcia-Roza se inserem, nosso corpus será constituído pelos romances O silêncio da chuva (1996), e Espinosa sem saída (2006). Neste constructo discursivo em que o mundo aparece como palco, o detetive Espinosa – o protagonista de Garcia-Roza – emerge como uma das subjetividades literárias perdidas que não encontram respostas para os questionamentos, descontruindo a noção de totalidade e infalibilidade do investigador das narrativas clássicas de enigma. Afinal, na visão do próprio romancista, a essência de todo crime constitui-se como algo irrevelável, impenetrável e inescrutável.

 

Biografia do Autor

FERNANDA MARA ALMEIDA AZEVEDO, UNIVERSIDADE DE VASSOURAS - CAMPUS MARICÁ

Doutora em Literatura Comparada (UERJ), Mestre em Literatura Brssileira (UERJ), Professora do curso de Graduação da Universidade de Vassouras, Campus Maricá.

Referências

Referências bibliográficas

ALBUQUERQUE, Paulo de Medeiros e. O mundo emocionante do romance policial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.

BARBIERI, Therezinha. Ficção impura: prosa brasileira dos anos 70, 80 e 90. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2003.

BATAILLE, Georges. O crime e o sacrifício. In: O erotismo: o proibido e o transgressor. 2. Ed. Lisboa: Moraes Editores, 1980. P. 73-79.

BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

_____. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

BORGES, Jorge Luis. O conto policial. In: Borges oral. Trad. Rafael Gomes Filipe. Lisboa: Veja, 1997. p. 63-74.

CONNOR, Steven. Cultura pós-moderna: introdução às teorias do contemporâneo. Trad. Adail Ubirajara Sobral & Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 1992.

DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. Trad. Antonio Carlos Vilela. São Paulo: Melhoramentos, 1999.

FERENCZI, Sandor. A psicanálise do crime. In: Obras completas: psicanálise II. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 1992. p. 1-10.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 10. ed. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 2004.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na cultura. Trad. Renato Zwick. Porto Alegre: L&PM, 2010.

____. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Trad. Paulo Dias Corrêa. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

_____. O futuro de uma ilusão, o Mal-estar na civilização e outros trabalhos. Trad. Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996 [1929] vol – XXI.

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Espinosa sem saída. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. _____. O silêncio da chuva. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

GROSSI PORTO, Maria Stela. Entre a política e a religião: caminhos da contribuição weberiana à análise da violência. Revista Sociologias. Porto Alegre, PPG-Sociologia do IFCH – UFRGS, Número 1, setembro de 1999, Dossiê “Conflitualidades”, p. 14-33.

GUATTARI, Félix & ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografia do desejo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

GUATTARI, Félix. Da produção de subjetividade. In: PARENTE, André (org.). Imagem- máquina, a era das tecnologias do virtual. Trad. Rogério Luz et alii. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. p. 177-191.

ISER, Wolfgang. Epílogo. In: ___. O fictício e o imaginário: perspectivas de uma antropologia literária.Trad. Johannes Kretschemer. Rio de Janeiro: EdUerj, 1996. p. 341-361

JAMES. Phyllis Doroth. Talking about detective fiction. Oxford: Bodleian Library, 2009.

JAMESON, Fredric. A lógica cultural do capitalismo tardio. In: ___. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. Trad. Maria Elisa Cevasco. São Paulo: Ática. 1997. p.27-79.

LACAN, Jacques. O seminário sobre “a carta roubada”. In: ___. Escritos. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p.13-66..

____. O seminário. Livro 7: a ética da psicanálise. Trad. Antônio Quinet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

MANDEL, Ernest. Delícias do crime: história social do romance policial. Trad. Nilton Goldmann. São Paulo: Busca Vida, 1988.

NIETZSCHE, Friedrich. Segunda dissertação: “culpa”, “má consciência” e coisas afins. In: ___. Genealogia da moral: uma polêmica.Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p.47-85.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Cenários em ruínas: a realidade imaginária contemporânea. São Paulo: Brasiliense, 1987.

PELLEGRINI, Tânia. Gêneros em mutação. In: A imagem e a letra. Campinas: Fapesp, 1999. p. 79-240.

PIGLIA, Ricardo. Os sujeitos trágicos. In: ___ Formas breves. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

_____. Sobre o gênero policial. In: O laboratório do escritor. Trad. Josely Vianna Baptista. São Paulo: Iluminuras, 1994.

POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias. Trad. Breno Silveira e outros. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

TODOROV, Tzvetan. O discurso psicótico. In: ___ Os gêneros do discurso. São Paulo: Martins Fontes, 1980.

____.Tipologia do romance policial. In: Poética da prosa. Lisboa: Edições 70, 1979. p. 57-67.

____. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva: 1975. [1970]

WILLEMART, Philippe. A força do inconsciente na literatura e na criação literária. In: Além da psicanálise: a literatura e as artes. São Paulo: FAPESP, 1995. P. 63-105.

Downloads

Publicado

2020-03-01

Edição

Seção

Dossiê 18: Representações da Violência na Literatura