O ESSENCIAL É INVISÍVEL ÀS CRIANÇAS:

UMA CRÍTICA À CLASSIFICAÇÃO DE O PEQUENO PRÍNCIPE COMO LITERATURA INFANTIL

Autores

  • Otávio Rafael Velho Lopes Universidade Feevale Autor
  • Jéssica Immich Universidade Feevale Autor
  • Rosemari Lorenz Martins Universidade Feevale Autor

Palavras-chave:

O Pequeno Príncipe, Literatura infantil, Formação do leitor literário

Resumo

Embora tradicionalmente classificada como literatura infantil, a obra O Pequeno Príncipe (2009), de Antoine de Saint-Exupéry, apresenta níveis de complexidade simbólica, filosófica e narrativa que desafiam a recepção pelo público infantil. Este artigo tem como objetivo propor uma reflexão crítica sobre essa classificação, defendendo que a obra é mais apropriada a leitores com maior maturidade interpretativa. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, tendo como base teórica os estudos de Nelly Novaes Coelho (2000), Regina Zilberman (2003), Antonio Candido (2006), Aidan Chambers (2007), Maria Clara Freitas (2010), Vera Teixeira de Aguiar (2011), João Paulo Santos (2015), além dos pressupostos Lev Vygotsky (1991) e Maria Nikolajeva (1996). Os resultados da análise apontam que o denso simbolismo e a crítica à lógica dos adultos exigem um repertório que ultrapassa a competência leitora da infância. Conclui-se que O Pequeno Príncipe se configura como uma obra poética sobre a infância, mas não necessariamente uma produção destinada para crianças.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Otávio Rafael Velho Lopes, Universidade Feevale

    Mestrando em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale. Graduado em Letras - Português/Inglês pela mesma instituição. E-mail: otaviolopes00@gmail.com

  • Jéssica Immich, Universidade Feevale

    Graduanda em Letras - Português/Inglês pela Universidade Feevale.

  • Rosemari Lorenz Martins, Universidade Feevale

    Doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora do Programa de Pós-graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social da Universidade Feevale.

Referências

AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura Infantil: teoria, análise e ensino. São Paulo: Ática, 2011.

AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. 6. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2011.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação básica. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br.

CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. São Paulo: Ouro sobre Azul, 2006.

CHAMBERS, Aidan. O leitor do futuro: práticas de leitura na escola e na biblioteca. Tradução de Beatriz Sidou. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000.

FREITAS, Maria Clara. Simbolismo e leitura crítica em O Pequeno Príncipe. São Paulo: Editora Educação, 2010.

NIKOLAJEVA, Maria. Children’s Literature Comes of Age: Toward a New Aesthetic. New York: Garland Publishing, 1996.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. São Paulo: Agir, 2009.

SANTOS, João Paulo. Metáforas e significados na literatura infantil: um olhar sobre O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Casa do Saber, 2015.

SONHOS DE LETRAS. Antoine de Saint-Exupéry. Disponível em: https://sonhosdeletras.com.br/escritor-09-antoine-de-saint-exupery/.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 2003.

ZILBERMAN, Regina. O Pequeno Príncipe e a complexidade da infância. Revista de Literatura Infantil, v. 12, n. 3, p. 45-60, 2003.

Downloads

Publicado

2026-11-07

Como Citar

O ESSENCIAL É INVISÍVEL ÀS CRIANÇAS:: UMA CRÍTICA À CLASSIFICAÇÃO DE O PEQUENO PRÍNCIPE COMO LITERATURA INFANTIL. Sede de Ler, Niterói, v. 16, n. 1, p. sel26011, 2026. Disponível em: https://periodicos.uff.br/sededeler/article/view/72650. Acesso em: 7 nov. 2026.