Curricularização da extensão e educação popular

os Círculos de Cultura na Escola de Serviço Social /UFF - Niterói

Autores/as

  • Jéssica dos Santos Costa Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
  • Valéria Rosa Bicudo Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFF- RJ) – Niterói, RJ, Brasil
  • Matheus Oliveira de Paula Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFF- RJ) – Niterói, RJ, Brasil

Palabras clave:

Educação popular, Extensão universitária, Círculos de Cultura, Formação em Serviço Social

Resumen

Este artigo trata da educação popular como estratégia pedagógica no ensino superior público, com foco na curricularização da extensão no curso de Serviço Social da UFF/Niterói. Parte-se do problema de que o ensino superior, historicamente, tem reproduzido práticas educativas alinhadas à lógica do capital, restringindo o potencial crítico e emancipador de linhas pedagógicas alternativas na formação acadêmica. O objetivo é analisar o processo de curricularização da extensão na Escola de Serviço Social da UFF/Niterói, por meio da experiência com os Círculos de Cultura, sua ênfase na educação popular e o seu diálogo com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). A análise busca enfatizar que a educação popular pode tensionar as práticas instituídas nas universidades e contribuir para a formação de profissionais críticos e sintonizados com uma perspectiva de universidade popular. A hipótese central é a de que a incorporação da educação popular, por meio da extensão universitária, especialmente nos Círculos de Cultura, favorece a construção de um conhecimento crítico e dialógico, em contraposição à lógica tecnicista e fragmentada, e que a curricularização da extensão pode viabilizar esse processo, se feita numa perspectiva de totalidade. A abordagem teórico-metodológica fundamenta-se na teoria social crítica, no projeto ético-político do Serviço Social e na pedagogia freireana. Além da reflexão teórica, este artigo baseia-se nas experiências como facilitadores/as nos encontros dos Círculos de Cultura. Como resultado, destaca-se que os Círculos de Cultura têm proporcionado espaços formativos horizontais e criativos, mas que não estão alheios aos efeitos nocivos das práticas ultraneoliberais em termos de recursos para se fazer extensão e das condições de trabalho docente. Portanto, sinaliza-se a necessária perspectiva de totalidade no trato da questão, na medida em que tratar da curricularização da extensão envolve sua indissociabilidade ao ensino e à pesquisa e uma análise crítica sobre o impacto da reestruturação ultraneoliberal no âmbito da política educacional brasileira

Biografía del autor/a

  • Valéria Rosa Bicudo, Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFF- RJ) – Niterói, RJ, Brasil

    Doutora em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ

  • Matheus Oliveira de Paula, Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFF- RJ) – Niterói, RJ, Brasil

    Doutorando em Informação e Comunicação em Saúde pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (PPGICS/ICICT/Fiocruz)    

     

Referencias

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Publicado

2026-02-24

Cómo citar

Curricularização da extensão e educação popular: os Círculos de Cultura na Escola de Serviço Social /UFF - Niterói. UFF & Sociedade, [S. l.], v. 5, n. 7, p. 1–12 e050707, 2026. Disponível em: https://periodicos.uff.br/uffsociedade/article/view/69016. Acesso em: 27 feb. 2026.