Sobrevivências, clandestinidades, lampejos: o trabalho vivo da criação literária

João Batista de Oliveira Ferreira

Resumo


O artigo tem como objetivo refletir sobre algumas relações entre criação literária, trabalho vivo e processos de subjetivação. O trabalho vivo é caracterizado como processo de criação que implica o poder de sentir, pensar e inventar. A criação literária é analisada como referência crítica às instituições das formas alienadas de viver. São propostos os conceitos de trabalho morto, subjetivação alienada, ética viva e poética da subjetivação. Com base nestas proposições, busca-se analisar a poética da subjetivação como ação que produz e é produzida pelo trabalho vivo, e também suas ressonâncias ético-políticas nos processos de construção das formas politicamente qualificadas de viver.


Palavras-chave


criação literária; subjetivação; trabalho vivo; trabalho morto

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