As lutas pelo futuro: vítimas e especialistas face a três infraestruturas comemorativas
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2025.v57.i1.a65623Palavras-chave:
Infraestruturas, Especialistas, Vítimas, Memória.Resumo
Em nosso mundo atual, os eventos críticos geralmente dão origem a espaços comemorativos que lembram o que aconteceu. Aqui proponho uma abordagem das infraestruturas comemorativas produzidas como consequência de um incêndio ocorrido em Buenos Aires em 2004 durante um show de rock no qual 194 jovens morreram. O artigo se baseia em um extenso trabalho de campo realizado no movimento por justiça composto por sobreviventes e parentes dos falecidos, bem como na análise de fontes secundárias (materiais de imprensa, documentos, etc.). Identifico e reconstruo as disputas que ocorreram durante um longo período de quinze anos em torno de três espaços: o Santuário, a Plaza de la Memoria e o Memorial. Analiso o papel das vítimas, bem como o de especialistas e profissionais, como arquitetos, psicólogos e políticos. Abordo os processos conflituosos no âmbito dos quais essas infraestruturas foram construídas, transformadas e destruídas. Embora os estudos de memória tenham analisado esses espaços abordando as lutas pelo significado do passado neles representado, aqui argumento que as disputas em torno dessas infraestruturas não expressam tanto as lutas pelo passado, mas as lutas pelo futuro: lutas sobre os caminhos que o movimento deve tomar para obter justiça e garantir que os responsáveis pelo incêndio sejam condenados.
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