Coletivos: poesia e endividamento

Autores

  • Eduardo Coelho

DOI:

https://doi.org/10.22409/cadletrasuff.v31i61.45507

Resumo

É importante destacar o quanto o vocabulário financeiro se infiltrou na poesia brasileira contemporânea de jovens autores, em relação direta ou indireta com o problema do endividamento. Não por acaso, esse léxico da financeirização da vida foi se ampliando à medida que o neoliberalismo avançava durante os anos 2000 e 2010, quando a desigualdade socioeconômica foi se amplianda no mundo, ao mesmo tempo que as tecnologias digitais traziam condições de novos atores se colocarem na cena literária. O trabalho poético em torno do endividamento se manifesta como um dos aspectos mais instigantes da produção contemporânea no seu embate com questões do tempo presente, sendo um dos aspectos de consumação da impossibilidade de manutenção de certas tópicas da lírica, entre elas, o erotismo. O problema do endividamento na poesia brasileira contemporânea também pode ser analisada a partir de uma perspectiva mais econômica e sociológica, dando a ver os paradoxos de uma fase em que o Brasil se lançou, concomitantemente, a políticas inclusivas e a pactos neoliberais, tão sintomáticos do lulismo.

 

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Publicado

2020-12-15

Edição

Seção

Dossiê