Os fabulosos leões fabulares de Millôr Fernandes: estudos de caso da recepção esópica
DOI:
https://doi.org/10.22409/ghd5cx93Palavras-chave:
recepção dos clássicos, Millôr Fernandes, Esopo, leão, fábulasResumo
Imbuído do espírito combativo contra verdades bem estabelecidas, o jornalista e humorista Millôr Fernandes (1923-2012) elegeu a fábula como uma de suas muitas frentes de atuação na interpretação crítica do Brasil do século XX. Com este gênero literário que para os antigos figurava como expressão dos setores marginalizados, sua recepção sobre Esopo e sobre a tradição decorrente expressa a revolta ante a opressão, retomando a forma fabular como espécie de artifício crítico, argumentativo e desmantelador das forças sociais e políticas que permearam tanto tempos de ditadura militar quanto de democracia no Brasil. Na figura do leão, especificamente, diversas fábulas de base esópica do autor carioca encenam o desconforto inerente às hierarquias vigentes; o felino ora é retratado como ignorante, ora como alienado, mas sempre soberbo no status que a natureza lhe fixara. Já o animal por ele oprimido, frequentemente menosprezado e diminuído, se sobressai em recursividade, seja para escapar das garras do predador que o embosca, seja para confrontar o leão, e até mesmo derrotá-lo. Por meio da apresentação dos textos de partida e de chegada, propõe-se uma análise conjunta das fábulas de forma e base esópica com as quais Millôr opera suas recriações e inversões, tendo como principal ponto de análise o modo como os textos se iluminam reciprocamente. Como conclusão, pretende-se demonstrar como se opera o expediente receptivo de Millôr Fernandes sobre a matéria clássica, na medida em que resgata uma faceta há muito preterida da matéria fabular: a capacidade de questionar criticamente.
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