O trágico e o cômico na construção narrativa da natividade de Hércules: De Homero, Hesíodo e Eurípides até Plauto
DOI:
https://doi.org/10.22409/t3jkhr76Palavras-chave:
Plauto, Hércules / Héracles, comédia, tragédia, epopeiaResumo
Este artigo analisa os detalhes do mito do nascimento do herói Hércules conforme aparecem na peça Amphitruo, atribuída ao comediógrafo latino Plauto, em comparação com os detalhes correspondentes em outras obras que precederam a composição dessa comédia, a saber: a Ilíada (atribuída a Homero), o Escudo de Héracles (atribuída a Hesíodo), o Héracles de Eurípides, e dois vasos de cerâmica pintados que estão exibidos no British Museum. Com essa análise comparativa, observa-se que os elementos que se apresentam nas obras anteriores não se harmonizam com aqueles presentes na peça de Plauto: a intervenção de Hera, na Ilíada, não coaduna com a ausência de uma Juno plautina; a conjunção de Alcmena com os pais dos seus gêmeos não ocorre do mesmo modo na comédia como no Escudo; a paternidade do herói em Eurípides não é tratada da mesma maneira que em Plauto; e os vasos indicam uma tentativa de uxoricídio que não se lê no texto latino. Assim, conclui-se que a narrativa segundo consta no Amphitruo é uma versão paródica que subverte elementos narrativos das recontagens anteriores, de forma a causar riso. Como a comédia é a versão da natividade hercúlea que se tornou mais famosa, representa portanto um ponto de inflexão na recepção desse mito, na Antiguidade assim como na Modernidade.
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