Ductus misterioso e prudência em sermões do Padre Antônio Vieira
DOI:
https://doi.org/10.22409/ysttn921Palavras-chave:
ductus, barroco, Padre Antônio Vieira, retórica, letras coloniaisResumo
O artigo em questão busca apresentar a categoria de “ductus misterioso” como elemento distintivo da forma como Padre Antônio Vieira elabora o andamento de alguns dos seus sermões. Para tanto, parte de uma breve análise da categoria de prudência conforme incorporada nas letras jesuítas e, mais especificamente, nos sermões de Vieira, visando ressaltar a dimensão moral suposta nela. Fundamental para a ideia de decoro que regulava a produção letrada, serve de base para que se avance para uma discussão acerca da importância da dimensão prática para os pregadores, recuperando principalmente discussões de Aristóteles e Cícero. Principiando a discussão sobre o ductus, apresentamos uma breve recapitulação dessa categoria conforme compreendida classicamente, bem como análises deste elemento do discurso em textos de Vieira realizadas por pesquisadores contemporâneos. Ao propormos a existência de um ductus misterioso, propomos que se trata de expressão retórico-poética da preocupação do jesuíta com a ação, seus efeitos materiais, a própria materialidade do sermão e, sobretudo, com uma visão de mundo contrarreformista que compreende que tudo o que há está sacramentado pela Presença do criador. Essa compreensão autoriza uma interpretação figural, para usar a terminologia de Auerbach (1997), do texto bíblico e das próprias coisas do mundo como signos dessa presença, exigindo do pregador autorizado uma habilidade hermenêutica que direcione o público ao Bem absoluto. A partir disso, Vieira elabora sermões em que a sequência de argumentos passa a constituir por si uma agudeza, uma vez que reforça essa compreensão da História.
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