Por onde anda o onde? Um estudo de percepção sobre a polifuncionalidade do conector onde
DOI:
https://doi.org/10.22409/4ny9tg78Palavras-chave:
onde, avaliação linguística, sociolinguística variacionista, funcionalismo, gramaticalizaçãoResumo
Este trabalho investiga a avaliação de falantes do português brasileiro acerca de diferentes usos do conector onde, especialmente em contextos nos quais a norma padrão prescreveria o uso da forma canônica em que. A análise ancora-se em pressupostos funcionalistas, tal como discutidos em estudos anteriores sobre o onde (Silva, 2008), articulados à perspectiva da Sociolinguística Variacionista (Weinreich, Labov e Herzog, 1968), sobretudo no que se refere ao papel da avaliação social nos processos de mudança linguística. Parte-se da hipótese de que uma avaliação positiva, ou não negativa, do uso de onde como pronome relativo pode intensificar sua frequência de uso, favorecer sua generalização e, consequentemente, impulsionar sua expansão funcional no sistema linguístico. Para testar essa hipótese, foi realizado um experimento de avaliação com 46 participantes, que julgaram sentenças contendo usos canônicos e não canônicos de onde. Os resultados indicam que os falantes tendem a atribuir avaliações positivas aos usos não canônicos do conector, sugerindo um enfraquecimento do controle normativo sobre essas construções. Tais achados reforçam a ideia de que a avaliação favorável dos falantes atua como fator relevante no avanço do processo de gramaticalização de onde.
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