Morfologia avaliativa no português do Uruguai
DOI:
https://doi.org/10.22409/t88ar789Resumo
Este trabalho trata da distribuição dos sufixos avaliativos -inho/-zinho, do português, e -ito/-cito, do espanhol, a partir de dados do português falado no Uruguai, variedade cuja gramática apresenta características brasileiras (Carvalho, 2003; Simioni, 2021) e características próprias (Carvalho e Bessett, 2015; Gasque, Chaves e Simioni, 2018), além de forte influência do espanhol, especialmente no nível lexical. Tendo em vista a alta produtividade e a regular distribuição desses sufixos, pretendemos mapear traços do contato linguístico e investigar as propriedades de distribuição dos sufixos -inho/-zinho e -ito/-cito no português falado no Uruguai. A metodologia compreende a análise de dados de fala coletados no formato de entrevista semiestruturada com quatro informantes oriundas de Poblado Uruguay - Río Branco/Uruguay. Os 102 dados com os pares -inho/-zinho ou -ito/-cito foram classificados de acordo com aspectos estruturais, além da língua da base. Os resultados apontam para um maior espelhamento com o português: há predominância dos sufixos -inho/-zinho (92,2% – 94/102) em comparação ao sufixo -ito (7,8% – 8/102). No contexto de bases pertencentes a ambas as línguas (p. ex. boca - boquinha), também predomina o sufixo -inho (87,5% – 28/32) em relação a -ito (12,5% – 4/32). Os dados revelam, ainda, que há 12 bases do espanhol com sufixo diminutivo do português (p. ex. botellinha), mas não há bases do português com sufixo do espanhol. Os resultados corroboram trabalhos anteriores que apontam para a presença de uma gramática brasileira.
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