Gerenciando o common ground: o marcador pragmático sabe no português brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.22409/mnsbp206Palavras-chave:
marcador pragmático “sabe”, intersubjetividade, common ground, monitoramento interacionalResumo
Este artigo analisa o marcador pragmático sabe no português brasileiro sob a ótica da Gramática de Construções Baseada no Uso. Propõe-se que o marcador constitui um mecanismo de monitoramento interacional voltado à gestão do common ground e à coordenação intersubjetiva entre os interlocutores. A partir de uma análise qualitativa de 1.524 ocorrências extraídas do Corpus do Português, foram identificados dois grandes padrões funcionais. O Uso 1, de natureza preventiva ou corretiva, surge diante de uma Fonte Potencial de Desalinhamento (FPD), isto é, uma proposição que ameaça a correta incorporação da informação ao common ground por gerar risco de interpretação inadequada – nesses casos, o marcador recalibra o fluxo discursivo para assegurar o alinhamento interpretativo. Em contrapartida, o uso 2 manifesta-se em contextos de estabilidade do common ground – nesses casos, em que não há FPD, o “sabe” assume o papel de marcador de polidez positiva, na medida em que reforça a afiliação entre os participantes. Sustenta-se, portanto, a generalização de que o marcador “sabe” constitui um recurso intersubjetivo sensível ao estado do common ground, ao qual se vincula de modo sistemático, seja para sua manutenção, seja para seu ajuste no curso interacional.
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