Mito e culto dionisíacos: o deus ambivalente
DOI:
https://doi.org/10.22409/tntdt946Palavras-chave:
Dioniso, Ambivalência, Êxtase, Metamorfose, TransgressãoResumo
O presente estudo examina Dionisos, a divindade religiosa grega, como expressão simbólica máxima da coincidentia oppositorum, destacando sua ambivalência constitutiva. Deus do liberação extática e da loucura, da vida e da morte, do prazer e do horror, Dionisos encarna a ruptura de toda oposição estável. Seu culto e mito operam por meio da tensão entre forças antagônicas que não se anulam, mas coexistem em conflito produtivo. Filho de uma mortal e de Zeus, ele nasce, morre e renasce; traz o vinho que alegra e enlouquece; promove a comunhão e a dissolução do eu. A máscara, símbolo central de sua epifania, revela ocultando, encarna sua identidade fluida e sua presença dissonante. No culto, suas práticas — danças, gritos, transes — abrem passagem para uma experiência liminar onde os opostos se tocam. Como xénos, é sempre o outro que desestabiliza a pólis, mediando o limiar entre humano e divino, ordem e caos. A recorrência do desmembramento, da morte feminina e da loucura coletiva expõe o reverso trágico do êxtase. Dionisos é simultaneamente redenção e ameaça, cura e ferida, luz e abismo. Seu culto, longe de celebrar apenas a vida, expõe o paradoxo essencial do sagrado: só há criação onde há ruptura.
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