Éthos e páthos na historiografia literária portuguesa: a biografia de Camões por Teófilo Braga à luz dos conceitos de historia ornata e magistra vitae
DOI:
https://doi.org/10.22409/s84zkm10Palavras-chave:
retórica, recepção, historiografia literária, Camões, Teófilo BragaResumo
Este artigo investiga a influência da retórica clássica para a biografia de Camões por Teófilo Braga. Demonstraremos que, malgrado o estudioso ser considerado a “plenitude historiográfica oitocentista”, isto é, totalmente integrado aos princípios historicistas do XIX, também haveria nele uma influência conceitual e metodológica da retórica antiga. Neste texto, Braga manifesta, pois, perspectivas retórico-historiográficas basilares para a Retórica de Aristóteles, para O Orador, de Cícero e para Retórica a Herênio. Com efeito, seja na publicação inicial para celebrar o terceiro centenário da morte de Camões, seja na sua reinserção em História da Literatura Portuguesa, Volume II, Renascença, seus critérios ecoam diretamente os princípios de magistra vitae e historia ornata, isto é, a historiografia como um guia moral e social, que, para funcionar, necessitaria de ornamentação. Defendemos que esses princípios chegam a Teófilo Braga pela intermediação do século XVII em Portugal, que testemunhou largamente o gênero antigo das vitae. Assim, apesar de uma terminologia do XIX, Braga apresentaria uma vita camoniana moldada pelos princípios da retórica e da historiografia clássicas, elaborando um perfil inspirador e acessível para resgatar um povo supostamente distante de sua identidade. Ademais, apontaremos duas singularidades dessa versão em relação à prática seiscentista: a associação do poeta com a nacionalidade e um processo de humanização de sua figura, em vez da edificação de um monumento inatingível. Humanização esta que se apoiaria em uma lógica também central para a retórica clássica, mas que Braga alinha a um suposto éthos geral português, sublimado pelo poeta: uso do páthos para comouere.
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