COLONIALIDADE, BRANQUITUDE E AFROPESSIMISMO
tensões a partir das ações afirmativas na universidade brasileira
DOI:
https://doi.org/10.22409/3szrqf49Resumen
O presente artigo analisa as políticas de ações afirmativas voltadas à ampliação da presença da população negra no ensino superior brasileiro, com especial atenção às cotas raciais para o ingresso discente e para o preenchimento de cargos docentes em universidades públicas. A partir da articulação entre direito, pensamento decolonial e estudos críticos da raça, o trabalho investiga em que medida essas políticas são capazes de enfrentar desigualdades historicamente produzidas pela colonialidade, bem como os limites que emergem nesse processo. Para tanto, mobilizam-se os conceitos de colonialidade do poder e do saber, formulados no âmbito do giro decolonial latino-americano, as contribuições do pensamento afropessimista e as reflexões de Amos Wilson acerca da inserção de sujeitos negros em instituições historicamente organizadas segundo parâmetros de poder e normatividade brancos. Argumenta-se que, embora as ações afirmativas constituam conquistas fundamentais para a promoção da igualdade material e para a democratização do ensino superior, seus efeitos transformadores encontram limites na persistência de estruturas institucionais, epistemológicas e simbólicas marcadas pela colonialidade, pela branquitude e pela antinegritude. Nesse contexto, as cotas destinadas à docência ocupam posição estratégica, pois deslocam o debate da inclusão e do acesso de estudantes para a disputa pelos espaços de autoridade, produção, circulação e legitimação do conhecimento. Conclui-se que as ações afirmativas constituem instrumentos indispensáveis de reparação e promoção da justiça racial, mas sua potência transformadora depende também do questionamento dos padrões institucionais e epistemológicos que ainda estruturam as universidades públicas brasileiras e da transformação das relações de poder que sustentam sua normalidade branca.
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Derechos de autor 2026 Mayra Queiroz Muniz, Anna Carolina Cunha Pinto, Cristina Leite Lopes Cardoso

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