COLONIALIDADE, BRANQUITUDE E AFROPESSIMISMO

tensões a partir das ações afirmativas na universidade brasileira

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.22409/3szrqf49

Resumen

O presente artigo analisa as políticas de ações afirmativas voltadas à ampliação da presença da população negra no ensino superior brasileiro, com especial atenção às cotas raciais para o ingresso discente e para o preenchimento de cargos docentes em universidades públicas. A partir da articulação entre direito, pensamento decolonial e estudos críticos da raça, o trabalho investiga em que medida essas políticas são capazes de enfrentar desigualdades historicamente produzidas pela colonialidade, bem como os limites que emergem nesse processo. Para tanto, mobilizam-se os conceitos de colonialidade do poder e do saber, formulados no âmbito do giro decolonial latino-americano, as contribuições do pensamento afropessimista e as reflexões de Amos Wilson acerca da inserção de sujeitos negros em instituições historicamente organizadas segundo parâmetros de poder e normatividade brancos. Argumenta-se que, embora as ações afirmativas constituam conquistas fundamentais para a promoção da igualdade material e para a democratização do ensino superior, seus efeitos transformadores encontram limites na persistência de estruturas institucionais, epistemológicas e simbólicas marcadas pela colonialidade, pela branquitude e pela antinegritude. Nesse contexto, as cotas destinadas à docência ocupam posição estratégica, pois deslocam o debate da inclusão e do acesso de estudantes para a disputa pelos espaços de autoridade, produção, circulação e legitimação do conhecimento. Conclui-se que as ações afirmativas constituem instrumentos indispensáveis de reparação e promoção da justiça racial, mas sua potência transformadora depende também do questionamento dos padrões institucionais e epistemológicos que ainda estruturam as universidades públicas brasileiras e da transformação das relações de poder que sustentam sua normalidade branca.

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Biografía del autor/a

  • Mayra Queiroz Muniz, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Designer, artista visual, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Design da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI - UERJ) e pesquisadora no Laboratório de Design e Antropologia (LaDA) na mesma instituição. Seu trabalho acadêmico explora sistemas de conhecimento não modernos, utilizando o design como ferramenta analítica para mobilizar perspectivas contra-hegemônicas. Por meio da interseção entre pesquisa acadêmica e imaginação radical, ela investiga as possibilidades do design para além das temporalidades vigentes.

  • Anna Carolina Cunha Pinto, Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Roraima (ICJ/UFRR)

    Professora Adjunta do Curso de Direito da Universidade Federal de Roraima, onde também atua junto oa Núcleo de Prática Jurídica e Direitos Humanos (NPJDH). Doutora e mestra em Ciências Jurídicas e Sociais pelo Programa de Pós Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD/ UFF). Atua como pesquisadora do Grupo de Pesquisa Democracia, Cidadania e Estado de Direito (DeCiEd) da Universidade Federal Fluminense. Atua como coordenadora editorial da Confluências: Revista Interdisciplinar em Sociologia e Direito, vinculada ao PPGSD/UFF. Graduou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes, instituição na qual compôs o corpo docente do curso de Pós Graduação em Criminologia, Direito e Processo Penal. Pesquisa sobre branquitude, pós colonialismo, racismo e direito penal.

  • Cristina Leite Lopes Cardoso, Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Roraima (ICJ/UFRR)

    Professora Adjunta do Curso de Direito da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
    Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD/UFF). Mestra em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGMS/UNIRIO). Coordenadora do Núcleo de Praticas Jurídicas e Direitos Humanos (NPJDH/UFRR). Vice-líder do grupo de pesquisa Branquitude, racismo e pós-colonialismo da UFRR. Vice-líder do grupo de pesquisa sobre Violência, Crime e Segurança Pública da UFRR.
    Representante da UFRR no Comitê de Políticas Penais do Tribunal de Justiça de Roraima.
    Integrante do Observatório de Direitos Humanos da UFRR. Parecerista da Revista Confluências da Universidade Federal Fluminense – UFF. Tem interesse em estudos acerca de Direitos Humanos, Memória Social, Biopolítica, Necropolítica, Decolonialidade, Encarceramento em massa, Racismo Estrutural, Interseccionalidade e Encarceramento Indígena.

Publicado

2026-10-02

Cómo citar

COLONIALIDADE, BRANQUITUDE E AFROPESSIMISMO: tensões a partir das ações afirmativas na universidade brasileira. Confluências | Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito, [S. l.], v. 28, n. 2, p. 121–144, 2026. DOI: 10.22409/3szrqf49. Disponível em: https://periodicos.uff.br/confluencias/article/view/73163. Acesso em: 13 oct. 2026.