FUTUROS MULTIESPÉCIE: um manifesto a partir do Sul diante do Antropoceno capitalista
DOI :
https://doi.org/10.22409/afs7xs58Résumé
Há pouco mais de dez anos, a academia antropológica do Norte global batizou com o nome de "multiespécie" um modo de pesquisa e escrita que descentraliza o humano e que, no âmbito investigativo, dá atenção à força sociocultural e afetiva de múltiplos corpos e materialidades na composição do "corpo" social e cultural. No entanto, esse tipo de relação múltipla e diversa constitui parte basilar de muitos povos do Sul global, povos subalternizados cuja experiência histórica, situada e encarnada revela epistemologias e modos de vida eclipsados pelo sistema moderno-racista-colonial. Ou seja, tais povos souberam reconhecer e nomear nossa condição frágil e precária, que necessita de outros seres mais-que-humanos para se realizar, em íntima afetação, interdependência e sobrevivência colaborativa. Por isso, "multiespécie" é apenas mais uma palavra, entre outras, para designar o intrincado espaço de relações que dá forma e conteúdo àquilo que chamamos "sociedade", "cultura" e "natureza". Em tempos de Antropoceno, esta era de aniquilação da vida impulsionada pelo capitalismo-especismo predatório, é necessário reconhecer nossas conexões vitais com múltiplos corpos humanos, animais, vegetais, minerais e de outros tipos, bem como suas formas particulares de nomeação, a fim de propor políticas de colaboração e interdependência a partir das quais seja possível imaginar futuros-outros, mais-que-humanos; futuros que, de fato, talvez já estejam sendo imaginados e disputados neste exato momento, a partir do Sul e no Sul. Assim, o objetivo deste ensaio-manifesto antropológico é, retomando Robin Wall Kimmerer, pensar em "gramáticas [multiespécie] do animado" como alternativa a estes tempos de ruína e, portanto, de criatividade necessária para dialogar com outras formas de vida e nos reorientarmos a partir de outras epistemologias situadas nas margens, que abraçam esse mundo-outro que caminha conosco rumo a futuros plurais pós-antropo-capitaloceno.
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(c) Copyright Berenice Vargas García, David Varella Trejo; Anna Carolina Cunha Pinto, Yan Gardson da Cruz Costa, Luiza Alves Chaves 2026

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