Geo-grafias do Sub-comum e Constelações Afetivas nos Cinemas Negros de Gabriel Martins
DOI:
https://doi.org/10.22409/8g35c289Palavras-chave:
Geo-grafias, Cinema, Negro, Subcomum, AfrofabulaçãoResumo
Este artigo analisa como os filmes Nada (2017) e Marte Um (2022), de Gabriel Martins, produzem geo-grafias negras do subcomum e constelações afetivas por meio da centralidade de crianças e jovens negros. Objetiva-se compreender como a recusa de Bia, em Nada, e as trajetórias da família Martins, com ênfase em Deivinho e Eunice, em Marte Um, reconfiguram espacialidades, temporalidades e expectativas sociais relacionadas à juventude negra. Adota-se uma abordagem qualitativa de análise fílmica, articulando a descrição formal de enquadramentos, montagem, duração, som e gestos; o mapeamento de lugares, deslocamentos e relações afetivas; e a interpretação das cenas pelas categorias de subcomum, afro-fabulação e geo-grafias negras. Os resultados indicam que, em Nada, a recusa suspende a temporalidade produtivista da escola e da família, convertendo o “não fazer” em abertura para outras formas de existência. Em Marte Um, o sonho cósmico de Deivinho transforma o quintal em laboratório geográfico de experimentações. Conclui-se que os filmes produzem modos de pensar e habitar o espaço que deslocam roteiros sociais racializados, contribuindo para os estudos geográficos do cinema e para uma educação geográfica antirracista.
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