Edições anteriores

  • Ensaios de Geografia
    v. 8 n. 16 (2022)

    CAPA

    Rua Monte Líbano, Teresópolis, Brasil, agosto de 2021.

    Luke Martins

    Eu encaro a rua como um organismo vivo. Vias são como artérias, pedestres apressados, carros altos e barulhentos, crianças brincando, o tio que vende picolé... Tudo e todos são partes essenciais desse ecossistema urbano e humano que construímos sem planejar e ajudamos a manter cada vez que saímos do universo particular de casa para a realidade do cotidiano. É louco pensar que para alguns rua e casa são a mesma coisa, não é? Calçadas são convertidas em palanques com a mesma facilidade que viram quarto para quem não tem escolha...

    Rua é lugar de coexistência entre opostos, o rico e o pobre, o apressado e o ocioso, o orelhão e o smartphone... A foto mostra as ruínas de um elemento que já serviu de ponte entre familiares, colegas, amantes... Já foi portador de más notícias e já matou saudades... Hoje serve de abrigo do Sol e da chuva. As coisas mudam, o tempo passa, o orelhão vira artigo de bolso... A gente esquece, mas a rua não.

    A rua se lembra.

    Canon T7i, lente 50mm

     

    Luke Martins

    Fotógrafo

    Contato: stumblerspeaker@hotmail.com

  • Ensaios de Geografia
    v. 8 n. 15 (2021)

    CAPA
    Santa Teresa, Rio de Janeiro, Brasil, novembro de 2020.

    Vicente Brêtas Gomes dos Santos

    Milton Santos afirmou, celebremente, que o espaço pode ser compreendido enquanto acumulação desigual de tempos, ou seja, uma complexa amálgama na qual o passado se faz sempre presente. Tal afirmação é especialmente verdadeira e constatável quando se tratando de áreas urbanas centrais: nelas, o ambiente construído serve como uma espécie de testemunho de épocas passadas através da densidade histórica de suas formas e traçados.

    A bem da verdade, entretanto, os tempos não se encontram simplesmente acumulados desigualmente no espaço. Mais que isso, o que tem-se é um quadro de contínua e ininterrupta interação entre diferentes tempos que se encontram no espaço, situ-ações geográficas essencialmente dinâmicas em constante e transmutação. Nelas, as marcas de eras anteriores não são cristalizadas mas, antes, continuamente (re)enquadradas e (re)adaptadas. Assim, as funções das formas espaciais se alteram, bem como as representações sociais a elas referentes.

    A foto busca capturar tal dinamismo geo-histórico. Ela retrata, em primeiro plano, a parte de cima dos Arcos da Lapa, antigo aqueduto colonial datado do século XVIII readaptado para a circulação dos famosos bondinhos do bairro de Santa Teresa. Os trilhos se estendem, tal qual uma ponte que liga não apenas diferentes pontos do espaço, mas também o ontem e o hoje, em direção ao segundo plano da imagem, no qual destaca-se o EDISE, sede da Petrobras, datado da década de 70, bem como outros edifícios corporativos do Centro do Rio de Janeiro.

    Fotografia analógica - Canon Sure Shot Z155, filme Kodak Pro Image 100.

    Vicente Brêtas Gomes dos Santos
    Bacharel em Geografia (UFF)
    Contato: vicente.bretas@gmail.com

  • Ensaios de Geografia
    v. 7 n. 14 (2021)

    CAPA
    Praça do Arco do Triunfo, Barcelona, Espanha, fevereiro de 2020.

    Victoria Oliva

    Vivacidade. Espontaneidade. Idealização. Mise-en-scène. Essas foram algumas palavras que a professora do departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense, Ester Limonad, usou para descrever a cidade de Barcelona em seu artigo “Estranhos no paraíso (de Barcelona): impressões de uma geógrafa e arquiteta brasileira residente de Barcelona”.

    Ester não poderia ter sido mais certeira.

    Experimentar a cidade de Barcelona é se entregar às surpresas que as ruas ofertam. A cada esquina um enquadramento pitoresco, um músico de rua rompendo com o ritmo acelerado da metrópole – ou até grupos de turistas embananados correndo atrás de informações.

    Semanas antes da pandemia se alastrar pela Espanha, vivi o que parece ser o “típico” domingo no Arco do Triunfo de Barcelona. Com seu estilo Neomúdejar – um movimento arquitetônico que buscava recuperar o estilo Múdejar, praticado na Península Ibérica entre os séculos XII e XVI – o arco, construído em 1888, dava início a um largo passeio até o parque da Ciutadella. Enquanto caminhava, crianças e bolas de sabão, músicos cantando e tocando instrumentos diferentes e piqueniques por todos os lados.

    No final de fevereiro de 2020, quando estive lá, ninguém parecia acreditar que aquela crise – que já acometia a Itália – chegaria no país em poucas semanas. Não tardou para a Espanha instituir um rígido lockdown, inaugurando um espírito avesso ao de Barcelona no país: o medo, a preocupação, a supressão da experiência.

    Na ausência de experimentações urbanas, Barcelona me ofereceu minhas últimas memórias conhecendo e perambulando por uma cidade sem sentir nenhum medo ou receio. Essa cidade do espetáculo ficou capturada no meu imaginário assim como nessa foto: uma maneira pra lá de idealizada para pensar no mundo antes da pandemia.

    Fotografia analógica, filme Kodak Pro Image 100.

     

    Victoria Oliva
    Licenciada em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

  • Guerreiro do povo indígena Gavião Kyikatejê segurando arco e flecha nas mãos

    Ensaios de Geografia
    v. 7 n. 13 (2021)

    CAPA
    Terra Indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Estado do Pará, setembro de 2015.
    Ginno Pérez Salas

    Guerreiro indígena gavião da aldeia Kyikatêjê participando do jogo de arco e flecha nos jogos do mês de setembro de 2015. O povo indígena Gavião, estão compostos por três grandes grupos ou aldeias: Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê, reunidos na Terra Indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Estado do Pará, desde finais da década de 1980. Como relata o site Povos Indígenas doBrasil: “Depois de uma traumática "pacificação", ocorrida na década de 1970, na qual perderam 70% da população, os Gaviões venceram a crise populacional e reconstruíram seu modo de vida”. Nesse contexto, de desencontros com o mundo ocidental, os Gaviões vêm reconstruindo suas tradições. Entre elas a Festa da Castanha, a qual se realiza no final de cada ano para comemorar a safra da Castanha do Pará; e a Corrida da Tora como forma de expressão cultural e esportiva entre as aldeias Gavião no mês de setembro. Foi, nesse contexto da realização da corrida da tora, que homens e mulheres do povo se reúnem para praticar as suas técnicas e habilidades com o arco e a flecha, momento que marca um ponto de encontros, papos sobre a vida, sorrisos e liberdade de um povo que ao longo dos últimos 30 anos vem se reconstruindo e posicionando territorial, política e culturalmente no sudeste paraense.


    Ginno Pérez Salas
    Pesquisador militante cholo peruano. Doutorando do Programa de Pós-Graduação
    em Geografia da Universidade Federal Fluminens (UFF). Mestre em Dinâmicas
    territoriais e Sociedade na Amazônia pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do
    Pará (UNIFESSPA).
    Contato: driloperez84@gmail.com

  • Ensaios de Geografia
    v. 6 n. 12 (2020)

    Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, Amazonas, Brasil.
    18 de fevereiro 2017

    A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã é a segunda unidade de conservação deste tipo criada no Brasil, em 1998, na Amazônia Central, e está sob gestão do Governo Estadual do Amazonas. Possui estruturas de gestão e governança compartilhada entre o estado, as comunidades locais e as instituições parceiras. Está localizada no médio curso do Rio Solimões e abrange parte das bacias hidrográficas dos rios Solimões, Japurá e Unini. Esta área protegida possui uma área territorial de 2,35 milhões de hectares, conformada por ambientes de várzea, paleovárzea e terra-firme. A RDS Amanã é uma das áreas protegidas que compõem o Mosaico do Baixo Rio Negro e está inserida no Corredor Ecológico da Amazônia Central e na Reserva da Biosfera da Amazônia Central. É reconhecida como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco (Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central) e como Sítio da Convenção Ramsar de Áreas Úmidas de Importância Internacional (Rio Negro). Esta unidade de conservação de uso sustentável possui mais de cinco mil moradores e usuários que realizam como atividades principais para autossustentação e comercialização, a pesca, a agricultura familiar e o extrativismo. A RDS Amanã é ordenada territorialmente em setores que agregam comunidades e que estabelecem as formas e estratégias de uso e a gestão dos recursos naturais. A fotografia da capa desta edição foi registrada no setor Castanha, um dos 11 setores que esta unidade possui. Ela retrata as típicas habitações flutuantes da região, que são estratégicas para o modo de habitar esses ambientes que sofrem sazonalmente com as enchentes dos cursos d’água. A fotografia foi registrada em uma viagem para a realização de uma oficina com as comunidades locais, que teve como objetivo a assessoria para a organização social visando o manejo de recursos naturais e a mediação de conflitos por uso e domínio de lagos destinados à atividade de pesca. Nesta oportunidade, entre diferentes atividades e ferramentas utilizadas para subsidiar a condução da oficina, foram utilizados mapeamentos participativos para o diagnóstico de uso do território com as comunidades usuárias.


    Caetano Franco
    Bacharel em Geografia pela Universidade Federal de Alfenas/MG, Brasil; Aperfeiçoamento
    em Manejo de Áreas Protegidas pela Colorado State University/CO, EUA; e Mestre em
    Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da
    Amazônia/AM, Brasil.
    Contato: caetanolbfranco@gmail.com