Sobrevivências, clandestinidades, lampejos: o trabalho vivo da criação literária

Autores

  • João Batista de Oliveira Ferreira Universidade Federal do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

criação literária, subjetivação, trabalho vivo, trabalho morto

Resumo

O artigo tem como objetivo refletir sobre algumas relações entre criação literária, trabalho vivo e processos de subjetivação. O trabalho vivo é caracterizado como processo de criação que implica o poder de sentir, pensar e inventar. A criação literária é analisada como referência crítica às instituições das formas alienadas de viver. São propostos os conceitos de trabalho morto, subjetivação alienada, ética viva e poética da subjetivação. Com base nestas proposições, busca-se analisar a poética da subjetivação como ação que produz e é produzida pelo trabalho vivo, e também suas ressonâncias ético-políticas nos processos de construção das formas politicamente qualificadas de viver.

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Biografia do Autor

João Batista de Oliveira Ferreira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Psicólogo. Mestre em Psicologia pela Universidade de Brasília e doutor em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília. Professor adjunto do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Publicado

2014-10-10

Como Citar

Ferreira, J. B. de O. (2014). Sobrevivências, clandestinidades, lampejos: o trabalho vivo da criação literária. Fractal: Revista De Psicologia, 26(4), 715-728. Recuperado de https://periodicos.uff.br/fractal/article/view/5050

Edição

Seção

Dossiê Arte, Narrativas e Subjetividade - artigos