MAL-ESTAR, VIOLÊNCIA E OUTRAS PALINÓDIAS DA CONSCIÊNCIA N’OS MAIAS, DE EÇA DE QUEIRÓS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v10i18.40277

Palavras-chave:

Mal-estar, Violência, Consciência, Eça de Queirós, Os Maias

Resumo

A metodologia utilizada neste trabalho foi o comparatismo, especialmente a sua vertente fundada no diálogo da literatura com outros campos do saber, e, sobretudo, “o estudo da literatura em suas intersecções com a filosofia”, que aqui é utilizada “como paradigma teórico”. Sem se subestimar “as possibilidades oferecidas ao pensamento filosófico pela literatura” (ALVES; CEI; DIOGO; 2018, p. 6), e “conjugando filosofia e literatura de tal modo que conteúdo filosófico e forma literária tornam-se indissociáveis” (ALVES; CEI; DIOGO; 2018, p. 6-7) – pois “a ficcionalidade da teoria e a força teórica da ficção criam uma porosidade entre os campos da literatura e da filosofia” –, buscou-se, em termos gerais, “a subversão das fronteiras tradicionalmente estabelecidas entre conteúdo filosófico e conteúdo literário”, bem como o “escrutínio das múltiplas articulações entre literatura e filosofia, em virtude do caráter polimorfo de seus signos” (ALVES; CEI; DIOGO; 2018, p. 7). Em termos específicos, propusemos o atrito, a fricção, a contaminação entre o pensamento dos dois maiores teóricos da cultura do século XIX, Friedrich Nietzsche – tendo em vista a sua Genealogia da moral (1887) – e Sigmund Freud – com foco em seu Mal-estar na Cultura (1930) –, e a obra-prima ficcional do escritor português Eça de Queirós, o romance Os Maias (1888). Esse romance possui, em sua composição, vasto repositório de temas, questionamentos e reflexões que, além de abarcarem todo o longo século XIX, fazem com que a obra permaneça até a contemporaneidade como objeto de atenção de leitores e pesquisadores. No presente trabalho, analisaremos, de forma mais específica, as implicações sociais presentes no desenlace da relação amorosa entre Carlos da Maia e Maria Eduarda; os conflitos da consciência moral de Carlos, em meio à descoberta de que vivia um amor proibido; e a violência resultante de tais conflitos, seja aquela direcionada contra o próprio sujeito, seja a que se dirige contra os outros. Além disso, também será dada atenção à crítica social que é uma marca de Eça. O que se percebe é uma sociedade astuta no trato de questões que podem comprometer a imagem do sujeito dito civilizado. Nota-se, também, que a relação entre civilização e civilidade se mostra de forma complexa, e muitas vezes, nessa obra, as regras de convivência, ditas civilizadas, utilizam métodos que remetem à barbárie.

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Publicado

2020-03-01

Edição

Seção

Dossiê 18: Representações da Violência na Literatura