A gente faz teatro ensaiando a revolução

movimentos de territórios, cultura e arte entre Olinda, Recife e Paulista

Autores

  • Maíra Cavalcanti Vale Universidade de São Paulo
  • Mestre Genivaldo Bazílio Grupo de Teatro Atual (GTA)

DOI:

https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v12i22.51414

Palavras-chave:

teatro de rua, movimentos culturais, resistência, luta popular

Resumo

Este artigo é uma experimentação na escrita a partir da fala de Genivaldo Bazílio, mestre da cultura popular em Pernambuco, contando como o teatro apareceu em sua vida e como criou o Grupo de Teatro Atual (GTA) junto a um grupo de pessoas moradoras das periferias de Recife, Olinda e Paulista, atravessadas pelas desigualdades raciais e sociais que marcam o cotidiano destas comunidades. Neste texto a proposta é apresentar a própria forma de transcrição da fala como em si um processo conjunto de escrita - tanto na passagem de áudio para texto quanto na marcação de pausas e seleção de trechos; e fazer da rememoração uma reflexão teórica ao se contar uma trajetória coletiva que atravessa bairros periféricos e encontra movimentos de cultura popular, como o Movimento de Teatro Popular de Pernambuco, o Movimento Negro Unificado, a luta pela criação do espaço cultural Nascedouro de Peixinhos, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra, a pedagogia do oprimido de Paulo Freire, o Teatro Experimental do Negro de Abdias do Nascimento, o teatro do oprimido de Augusto Boal, a Coordenação Nacional de Entidades Negras e o movimento sindical. Assim, a reflexão sobre o GTA não aparece na narrativa aqui apresentada na forma de uma síntese explicativa de autores sobre um movimento cultural situado historicamente, mas sim a partir da apresentação de como discussões teóricas entraram na própria trajetória do GTA e influenciaram a sua prática de teatro de rua negro e popular.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mestre Genivaldo Bazílio, Grupo de Teatro Atual (GTA)

Mestre da Cultura Popular. Diretor artístico do Grupo de Teatro Atual (GTA). Mestre do Boi Mandingueiro, responsável pelo repasse das tradições, do sotaque melódico e composição das toadas.

Referências

BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. 6ª edição, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S.A., 1991.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

GONZALEZ, Lélia: Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, p. 223-244,1984.

NASCIMENTO, Abdias. Sortilégio. In: Dramas para negros e prólogo para brancos. Antologia de Teatro Negro-brasileiro. Rio de Janeiro: TEM – Teatro Experimental do Negro, 1961. p. 161-197.

PINHEIRO, Inaldete. A Calunga e o Maracatu. Recife, 2007.

PINHEIRO, Inaldete. Baobás de Ipojuca. Recife: Bagaço, 2008.

PINHEIRO, Inaldete. Cinco Cantigas para você contar. Olinda: Produção Alternativa, 1989a.

PINHEIRO, Inaldete. Coleção Velhas Histórias, Novas Leituras. Recife: Edição da autora, 2010.

PINHEIRO, Inaldete. Pai Adão era Nagô. Olinda: Produção Alternativa, 1989b.

PINHEIRO, Inaldete. Racismo e Anti-Racismo na Literatura Infanto-Juvenil. Recife: Etnia Produção Editorial, 2001.

PINHEIRO, Inaldete. Uma aventura do Velho Baobá. Revista Palmares, Brasília, v. 8, n. 1, p.78-81, nov. 2014.

TRINDADE, Solano. Cantares ao meu povo. São Paulo: Fulgor, 1961.

TRINDADE, Solano. Poemas Antológicos de Solano Trindade. Seleção e introdução de Zenir Campos Reis. São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2008.

TRINDADE, Solano. Seis tempos de poesia. São Paulo: H. Melo, 1958.

TRINDADE, Solano. Tem gente com fome e outros poemas. Rio de Janeiro: Departamento Geral da Imprensa Oficial, 1988.

Downloads

Publicado

2022-03-02 — Atualizado em 2022-03-03

Versões

Como Citar

Cavalcanti Vale, M., & Bazílio, G. (2022). A gente faz teatro ensaiando a revolução: movimentos de territórios, cultura e arte entre Olinda, Recife e Paulista. PragMATIZES - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura, 12(22), 50-78. https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v12i22.51414 (Original work published 2º de março de 2022)

Edição

Seção

Dossiê 22 - Coletivos culturais - resistências, disputas e potências