Da ocupação à retomada
cartografando processos de subjetivação em território urbano
DOI:
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v16i30.67169Palavras-chave:
ocupação, retomada, subjetivação, território urbano, cartografiaResumo
Uma vez que a cidade não pode ser compreendida dissociada da produção de subjetividade, o artigo visa compreender o fenômeno da urbanização moderna como desdobramento socioespacial do que Achille Mbembe nomeia como Necropolítica: projeto de poder ambicionado pelo ocidente capitalista, dentro do qual canoniza o sujeito europeu como universal a partir de pressupostos autodeterminados pela racialidade. Apresentando um processo cartográfico no cotidiano insurgente da Ocupação Baronesa, retomada de território localizada em um dos primeiros territórios negros da cidade de Porto Alegre, este artigo investiga o uso ordinário do planejamento urbano como estratégia para chancelar o genocídio, o etnocídio e o epistemicídio contra populações que cultivam diferentes sentidos de territorialidade. Inspirado na genealogia foucaultiana, o artigo busca escovar a história à contrapelo, concentrando seu olhar onde o choque de forças antagônicas é inevitável, revelando a face controversa do discurso moderno, bem como os agenciamentos que resistem a essa captura e oferecem outros horizontes de subjetivação para o planejamento urbano fora da gramática capitalista. Fará isso a partir de um percurso imersivo no território que, em sua caminhada, ofereceu novos paradigmas epistemológicos ao planejamento urbano na esfera institucional e acadêmica e à luta pela reforma urbana na esfera militante.
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